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Atlético 2021: mais equilíbrio, menos encanto

29/07/2021 às 02:27
Atlético 2021: mais equilíbrio, menos encanto

Começo este texto dizendo que você vai ler a palavrinha “equilíbrio” diversas vezes. Isto posto, vamos lá! O Atlético de Hulk, Nacho, Arana e companhia tem trazido uma discussão saudável entre torcedores e jornalistas especializados: esse time pode entregar mais, jogar mais, empolgar mais? A resposta é sim, pode. Mas na opinião deste comentarista, Cuca tem priorizado e buscado o equilíbrio, acima de tudo, inclusive do espetáculo. Futebol encantador é legal demais de ser visto, mas um time equilibrado é fundamental pra se obter conquistas.

Há décadas o Galo não tem um sistema defensivo tão sólido. Ao final do mês de julho (2021) tem a segunda melhor defesa do Brasileirão e da Libertadores e sofreu apenas um gol na Copa do Brasil. Em 39 partidas na temporada, não levou gols em 21 oportunidades (mais de 53% dos jogos). Na frente não é diferente. O ataque eficiente tem trazido equilíbrio à equipe. No Brasileirão o Atlético é o sexto time que mais fez gols e na Libertadores é o terceiro que mais balançou as redes adversárias. Na Copa do Brasil são seis gols em três partidas. O Atlético não joga o melhor futebol do Brasileirão e nem da Libertadores, mas está entre as equipes mais eficientes, equilibradas e competitivas das competições e provavelmente vai brigar por título em todas elas. Os números estão aí pra quem quiser enxergar e analisar. 

Equilíbrio 

O equilíbrio desse time está no trabalho, nas escolhas do treinador e no talento individual de alguns jogadores. Dizer que o sucesso momentâneo do Atlético é graças à individualidade de Hulk ou de Nacho é simplificar um ótimo trabalho coletivo, é a visão de quem acompanha pouco, de longe, esporadicamente os jogos do Galo. Quem trabalha com futebol e vê o Atlético de Cuca desde a sua estreia no estadual, certamente enxerga uma evolução em todos os setores e entende o motivo pelo qual um elenco com tantos talentos não encanta tanto quanto poderia. É a busca pelo equilíbrio!

Escolhas

Um time com Savarino pela direita e Keno pela esquerda, sem recomposição dos pontas, com Nacho solto, Hulk flutuando e os laterais apoiando, certamente seria mais criativo, faria mais gols, encantaria mais o torcedor e a imprensa. Mas uma equipe sem Tchê Tchê e Zaracho pra dar sustentação ofensiva e defensiva, pra dar segurança e velocidade nas transições; sem Savarino recompondo e com laterais mais comedidos, talvez teria sérios problemas lá atrás, sofreria com perseguições de zagueiros a atacantes adversários rápidos, com laterais tomando bola nas costas, e teria uma defesa mais vezes vazada, como aconteceu nos últimos 20 anos, mesmo nas temporadas vencedoras. As escolhas não são aleatórias, ainda que não agradem a todos.

Cuca não trabalha diariamente pra agradar comentarista A ou B, pra encantar o torcedor, pra dar espetáculo ofensivo, mas pra montar um time competitivo, “encardido”, difícil de ser batido, de ser vazado defensivamente e de ser marcado ofensivamente. Se o Atlético é repleto de talentos do meio pra frente, no seu sistema defensivo possui bons jogadores e um trabalho coletivo muito bem feito ao longo de seis meses. Se você tem jogadores como Hulk e Nacho, não é vergonha e nem problema depender deles pra marcar gols, criar grandes chances. É normal! Todo grande time que possui jogadores diferenciados será dependente destes atletas em algum momento… todos! Mas todo jogador diferenciado, decisivo, todo craque, também é dependente de um bom trabalho coletivo, de uma equipe equilibrada e bem treinada. Hulk é um dos melhores jogadores do futebol brasileiro, é decisivo, porque além do seu talento, joga em um time equilibrado, bem distribuído e que dá liberdade para que ele e Nacho, os craques do elenco, criem e façam o seu melhor no ataque. 

Cobranças

Discordar das escolhas do Cuca, cobrar um Atlético mais criativo, mais encantador é direito de todos e fundamental pra que o elenco e o trabalho sigam evoluindo, mas fazer vistas grossas à participação da comissão técnica em tudo o que vem sendo feito, ao coletivo, à evolução desse time desde fevereiro, à segurança defensiva, à eficiência ofensiva e principalmente ao equilíbrio desta equipe é má vontade, perseguição ou simplesmente desconhecimento. 

O Atlético de 2021 é o time do Hulk e do Nacho, mas também é o time do Allan, do Mariano, do Everson, do Zaracho, do Réver, do Alonso, dos Nathans, do Tchê Tchê, do Cuca… o Galo de 2021 é um misto do talento individual com o trabalho coletivo; é o Atlético do equilíbrio! E sim, ainda tem muito a melhorar e evoluir.

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