Edu Panzi

Coluna do Edu Panzi

Veja todas as colunas

A Seleção e o eterno complexo de vira-latas

15/06/2021 às 09:51
A Seleção e o eterno complexo de vira-latas

Desde 2016, quando Tite assumiu o comando técnico, a Seleção Brasileira coleciona números expressivos, com boas apresentações, muitas vitórias, gols e títulos. Mas a impressão é que os brasileiros, de uns tempos pra cá, principalmente os formadores de opinião, avaliam a seleção somente a cada quatro anos, apenas pelo resultado em Copas do Mundo e em jogos contra europeus, fora aqueles que passaram a odiar a penta campeã mundial por causa dos dirigentes, do calendário confuso e até mesmo por conta do uso da camisa amarela por um dos lados da polarização política que tomou conta do país.

Nos últimos cinco anos a Seleção treinada por Tite fez 55 jogos, com 41 vitórias, 10 empates e apenas quatro derrotas. São quase 75% de aproveitamento, com 119 gols marcados e 19 sofridos, um saldo de 100. Em 71% dos jogos (39) o Brasil não sofreu gols. 

De lá pra cá a Seleção disputou uma Copa América (2019) e venceu de forma invicta, disputou uma eliminatória de Copa do Mundo e “venceu”, também sem perder nenhum jogo e disputou uma Copa do Mundo (Rússia 2018), parando nas quartas de finais para a então favorita Bélgica, num jogo em que os europeus foram melhores no 1º tempo, quando fizeram 2 a 0 e os brasileiros superiores na 2ª etapa, vencendo por 1 a 0. O resultado final, a derrota por 2 a 1 e a consequente eliminação, foram duramente criticados, como se o adversário fosse qualquer time. Aliás, a derrota na Copa da Rússia foi a única de Tite em jogos oficiais. Os outros três “tropeços” aconteceram em amistosos - Argentina (2x) e Peru.

Mesmo com números espetaculares e uma “paternidade” infindável na América do Sul, na última década, Tite e seus comandados têm sido motivo de chacota por uma pequena, mas barulhenta parte da imprensa especializada e por muitos torcedores. Quaisquer vitórias e conquistas vêm acompanhadas de duras críticas e de frases prontas, como “quero ver na Copa”, ou “mas na hora que pegar um europeu vai perder”, ou ainda “essa competição não vale nada, ninguém quer saber”. 

Parte das críticas são necessárias e construtivas, mas a maior fatia, na opinião deste jornalista, está atrelada a um complexo de vira-latas histórico, aos péssimos dirigentes que estiveram/estão à frente da CBF, à polarização política, na qual a camisa amarela da seleção virou “um lado da briga”, e ao calendário, que rouba jogadores importantes e desfalca clubes brasileiros. Os resultados, o desempenho e os números positivos nos últimos cinco anos seriam dignos de elogios, mas ao que parece, aquilo que deveria ser foco das análises tem sido deixado em segundo plano.

“A Copa América não serve pra nada, as eliminatórias sul-americanas não deveriam existir e os amistosos sempre são caça-níqueis”. Nada que envolva a Seleção Brasileira presta, exceto a Copa do Mundo, principalmente quando o adversário é europeu, porque a fase de grupos da competição também é encarada com desdém, como uma desnecessária obrigação.

O fato é que o trabalho feito por Tite é muito acima da média e números coletivos e individuais estão aí pra qualquer um comprovar. O Brasil domina a América do Sul com sobras, exatamente como na tabela das eliminatórias para a Copa do Catar. É claro que o objetivo final, a cereja do bolo, sempre será a Copa do Mundo, mas lá apenas um ganha. Nos últimos 20 anos foram cinco campeãs mundiais diferentes, entre elas o Brasil. A necessidade de chegar a outra final de Copa é grande e a ansiedade aumenta a cada quatro anos, mas não podemos deixar de reconhecer o excelente trabalho que Tite vem fazendo no último ciclo, com uma ótima, mas longe de ser genial (como em muitas Copas do passado) geração. Entender a realidade do futebol brasileiro é fundamental para que as nossas expectativas não sejam frustradas a cada quatro anos. Em 2022 o Brasil não começará a Copa como a seleção a ser batida, mas certamente estará entre as protagonistas do mundial. O favoritismo será da França, da Bélgica, da Inglaterra, mas todas elas ainda seguirão fazendo de tudo pra fugir do Brasil, como fazem todo ano, quando recusam os amistosos. O respeito pela nossa seleção ainda existe, pena que seja apenas por parte dos vizinhos…

Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Escreva seu comentário

Preencha seus dados

ou

    #ItatiaiaNasRedes

    RadioItatiaia

    ➡ Pedido de derrubada do decreto foi feito pelos vereadores da Frente Cristã da CMBH. #Itatiaia

    Acessar Link

    RadioItatiaia

    Documento com perguntas e respostas auxilia Conselho a votar sobre o assunto no dia 3 de agosto. #Itatiaia

    Acessar Link