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Somos 51% da população brasileira, por quê não estamos em 51% dos espaços de poder?

Dos 513 deputados federais, apenas 77 são mulheres. Das 77 cadeiras do parlamento mineiro, apenas dez são ocupadas por mulheres. Na Câmara Municipal de Belo Horizonte, dos 41 assentos, 11 são ocupados por vereadoras. Em todas as casas do Legislativo, a ocupação feminina subiu nas últimas eleições, mas ainda continua pequena. 

Representatividade importa

Aumentar o número de mulheres na política é fundamental para que os direitos das mulheres sejam garantidos e para que tenhamos um país cada vez menos desigual. O raciocínio é simples: quando eleitos, empresários defendem empresários, ruralistas defendem ruralistas, militares defendem militares e mulheres tendem a defender mulheres.

Só uma mulher sente na pele a importância da licença maternidade, só uma mulher sente na pele o que é ser discriminada pelo simples fato de ser uma mulher. Dito isso, é importante reafirmar que são as mulheres as pessoas mais indicadas para definir quais são seus direitos e deveres na sociedade.

Levantamento

Pesquisa divulgada nesta segunda-feira (8) pela assessoria da deputada estadual Ana Paula Siqueira (Rede-MG), comandada pela jornalista Tamara Teixeira, mostra que na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, entre 2009 e 2010, foram apresentados 28 projetos de lei com foco nos direitos das mulheres. Em 2019 e 2020 foram 72 projetos de lei, um aumento de 157%.

Na Câmara Federal, do biênio 2009/2010 para o biênio 2019/2020, o número de projetos apresentados subiu de 103 para 545, um aumento de 429%. 

Claramente, políticos, homens ou mulheres, devem trabalhar pelo coletivo, mas é inegável que quem você é pode ser determinante no que você vai defender. 

Aí fica um tanto de gente em casa falando mal de política e brigando em grupo de Whatsapp e pouca gente com coragem para romper, para lutar por uma sociedade mais justa, para cobrar e até para se candidatar mesmo.

E não é candidatar para ganhar dinheiro e nem para dar carteirada. É pra discutir e ajudar a decidir, porque enquanto muita gente está em casa falando que tem nojo de política, há uma minoria nas casas do Legislativo e comandando os Executivos, ditando as regras e o que a gente deve ou não deve fazer. 

O Brasil tem mais de 100 milhões de mulheres, que somam a maioria da população: 51,5% dos brasileiros. Agora, a pergunta que não quer calar: as mulheres estão em 51,5% dos cargos de chefia, dos espaços de poder e entre os salários maiores que vocês conhecem? Não, elas não estão. 

Além de podermos carregar em nossos ventres todos os outros que virão — e, só por isso, a humanidade já deveria ser grata, ao invés de menosprezar as mulheres —, nós podemos fazer o que quisermos. No entanto, como bem disse minha querida amiga psicológa Erika Machado, a mulher não tem que dar conta de tudo: trabalho, casa, filhos, estudo... Nós precisamos e queremos os homens como parceiros, para dividir as tarefas, para combater o machismo e para construirmos um mundo menos desigual.

A base de tudo 

Graças à minha mãe que, mesmo com todas as dificuldades de toda família brasileira, insistiu para que no orçamento familiar, além da saúde, a educação fosse prioridade. E por isso estou aqui.

Graças à Dona Irlene, que largou um concurso público e os estudos para se dedicar inteiramente à família, eu e meus irmãos nos tornamos os profissionais que somos hoje. Ainda que ela tivesse se dedicado à vida profissional, não tenho duvidas que, junto com meu pai, fariam o mesmo esforço para nos educar.

Então, mulheres: tomem os seus lugares! Diaristas, faxineiras, enfermeiras, garis, médicas, advogadas, engenheiras, arquitetas, professoras, donas de casa, comerciantes, cantoras, atrizes, jornalistas, políticas, mulheres de todas as profissões, como diz a célebre frase americana, "We can do it!". Nós podemos fazer isso!