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Ritmo de vacinação no Brasil desperta disputa de políticos na internet

O ritmo da vacinação no Brasil já virou motivo de aposta entre políticos brasileiros. A pergunta que não quer calar é se o governador Romeu Zema (Novo) também vai entrar na brincadeira. Pelo que apurei, mineiro que é, Zema vai ficar fora da corrida das autoridades no Twitter.

Nesse domingo (13), João Doria (PSDB), anunciou que, até setembro, toda população de São Paulo será vacinada. Eduardo Paes (PSD), prefeito do Rio, respondeu na rede social “Me aguarde, Doria. Você é o pai da vacina, mas eu já adotei a criança e já ganhei o coração do imunizante. Não me provoque. Estou preparando a resposta. Bora vacinar”.

Estão todos brincando no Twitter, mas, ao mesmo tempo, contando sua própria vantagem. Afinal, ano que vem tem eleição. O Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, ficou bravo com Doria, dizendo que as doses que ele vai usar para vacinar a população de São Paulo são do governo federal. O que ele quis dizer foi que o tucano estava “fazendo graça” com o “chapéu” dos outros.

Compra, liberação de vacinas e PNI

Fato é que, além da demora do Brasil em negociar a compra e liberar vacinas, o país enfrentou e está enfrentando problemas relacionados ao cumprimento do Plano Nacional de Imunização. Grupos prioritários genéricos, como os da área da Saúde, possibilitaram interpretações diversas em relação à regra nacional.

Em Minas, por exemplo, a vacinação de servidores administrativos da Saúde, inclusive que estavam em home office, é alvo da CPI dos Fura-Filas na Assembleia. A apuração mostrou que servidores administrativos foram vacinados antes de servidores que estavam na linha de frente. 

Autonomia dos municípios e grupos prioritários

Uma outra questão é a que está relacionada à autonomia de cada município para fazer pequenas adequações dentro do Plano Nacional de Imunização. As prefeituras podem fazer pequenas mudanças na ordem de grupos prioritários. 

Não param de surgir também grupos diversos, que a todo momento reivindicam inclusão entre os grupos prioritários. Se as exceções não tiverem um basta, a vacina vai demorar a chegar para a população que está no pico da idade produtiva e em profissões que, de fato, estão na linha de frente contra a covid-19. Tem empregadas domésticas, caixas de supermercado, jornalistas – todos tão na linha de frente quanto outras categorias que já estão se vacinando.

As autoridades precisam discutir essas questões e algumas categorias têm que parar de achar que são mais importantes que outras e que correm o mesmo risco sanitário, ou até maior. Quem sabe o Plano Nacional de Imunização, tão bem falado, não pode passar ainda por algumas melhorias, não é?

Brasil: um país doente

A pandemia expôs ainda um outro problema grave do Brasil: o tamanho da população que tem comorbidades. A vacinação desse público, que exige a comprovação com documentação, tem uma triagem mais demorada e, segundo o secretário de Estado de Saúde, Fábio Bacchereti, deixou a vacinação em Minas mais lenta.

O tamanho do público com morbidades mostrou que o Brasil é um país doente. Muita gente, de todas as idades, com pressão alta, com diabetes... É um país que precisa investir mais na prevenção para gastar menos com tratamento. E qualidade de saúde passa por qualidade de vida, saneamento básico, acesso à saúde, à educação... O Brasil é carente disso tudo.

Censo atrasado atrasa a vacinação

Ainda tivemos o atraso na realização do Censo Demográfico, que prejudica o processo de vacinação contra a covid-19 no Brasil, segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eduardo Rios Neto, que foi o entrevistado do Abrindo o Jogo nesta segunda-feira.

Leia: Atraso no censo atrapalha vacinação contra covid-19, ressalta presidente do IBGE

Ouça: Presidente do IBGE, Eduardo Rios Neto

O último levantamento populacional foi há 12 anos. Se o Censo tivesse sido feito recentemente, seria mais fácil planejar a vacinação, porque os grupos de idade seriam melhores mensurados. Adiado duas vezes, uma por causa da pandemia e outro por falta de orçamento, agora por determinação da Justiça, o Censo terá que ser realizado no ano que vem. 

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