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Quem vai investigar os empresários que teriam furado fila?

Os escândalos não param e, para variar, Minas Gerais está no centro da polêmica. Depois da CPI para investigar a vacinação de servidores administrativos da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), agora uma nova polêmica: matéria da Revista Piauí afirma que empresários mineiros do setor do transporte, importaram vacinas com respaldo na lei federal de autoria do senador Rodrigo Pacheco (DEM), e ao invés de doá-las ao SUS, conforme prevê a lei, teriam desviado doses e aplicado em familiares e amigos, dentre eles, segundo a matéria, um deputado estadual.

Todos os citados na matéria foram procurados pela produção da Itatiaia, na noite dessa quarta (24), mas negaram envolvimento. Conversamos, nesta quinta, com um dos membros da CPI e, segundo ele, como o assunto diz respeito à um “caso privado” e como a importação e o controle são responsabilidade do Ministério da Saúde, da Receita Federal e da Polícia Federal, o episódio, por enquanto, não será objeto da Comissão Parlamentar de Inquérito estadual. Um dos citados disse à reportagem da Itatiaia que quem o citou terá que provar que ele foi vacinado. 

Perguntas sem resposta

A matéria lançou luz sobre um tema que precisa ser investigado: como essas vacinas foram compradas? De quem elas foram compradas? Como elas entraram no Brasil? Passaram por alguma fiscalização? Alguma parte foi ou será doada ao SUS, como prevê a lei? Onde estão essas vacinas que teriam que sido importadas? Os órgãos responsáveis pela fiscalização precisam aparecer e precisam dar uma resposta.

A lei que prevê a importação de vacinas por privados para doação ao SUS abre alguma brecha para que quem comprou retire doses para uso próprio e para os seus?  Para quem quiser conferir o texto da lei, basta clicar aqui. Um dos trechos diz o seguinte: a lei “permite a aquisição de vacinas contra a covid-19 por pessoas jurídicas de direito privado, desde que, enquanto não imunizados os grupos prioritários previstos em plano nacional, sejam destinadas para doação ao SUS”. Quer dizer que, depois de vacinados os grupos prioritários, os laboratórios podem vender? Os milionários podem importar para eles mesmos? Se o governo federal não garantir a vacinação, quem tiver dinheiro é que compre? A população é que lute? Será que é isso mesmo?

Tratamento diferenciado 

Por falar nesse assunto, representantes de órgãos de controle do estado e o Ministério Público foram ouvidos hoje na Assembleia Legislativa e a promotora de Justiça, Josely Ramos, informou que deve terminar, num período de duas semanas, a investigação do Ministério Público estadual sobre possível fura fila da vacina contra a covid-19 na SES-MG. A responsável pelo inquérito afirmou que, na sequência, serão adotadas medidas na área cível e criminal.

A promotora foi a primeira pessoa a ser ouvida pela “CPI dos Fura Fila”, que começou as oitivas pelos órgãos de fiscalização e controle. Durante o depoimento, ela afirmou que o procedimento da secretaria de vacinar diretamente os servidores em Belo Horizonte, quando deveria ter passado a reponsabilidade de vacinação aos municípios, como ocorreu nas outras 27 regionais, não é o procedimento que deveria ser o padrão.

Ainda de acordo com ela, ao que tudo indica, foram vacinados na Superintendência Central servidores com menos risco sanitário que outros profissionais da saúde, já que na rede FHEMIG e no Hemominas nem todos os servidores que lidam com o público haviam sido vacinados. 

Nem todos vão tomar segunda dose

A promotora de Justiça disse, durante a CPI dos Fura Fila, que a recomendação do Ministério Público é para que, da lista dos servidores administrativos que tomaram a primeira dose, só recebam a segunda dose aqueles que têm risco sanitário como fiscais e servidores que trabalham na Farmácia de Minas. Aqueles que trabalham na Cidade Administrativa, por exemplo, não devem receber a segunda dose no entendimento do Ministério Público. 

Câmara de BH

Enquanto isso, a Câmara de BH, registrou a primeira renúncia nessa legislatura. A vereadora Sônia Lansky (PT), que é médica, estava no primeiro mandato e decidiu renunciar, alegando problemas de saúde. A decisão surpreendeu até os correligionários. Assume o lugar o suplente Pedro Patrus (PT).

Circulou todo tipo de informação, dizendo que ela não precisaria renunciar, que era só tirar licença médica e que teria sofrido algum tipo de pressão de colegas de partido para parar de pressionar a prefeitura, que conta com alguns petistas em seus quadros, para a ativação da maternidade Leonina Leonor, em Venda Nova. Conversei com Sônia e também com Pedro Patrus. Ela alega que não sofreu qualquer pressão de parte da legenda e Patrus também afirmou desconhecer qualquer tipo de pressão. Segundo ele, esses questionamentos são desrespeitosos com o estado de saúde e a história de luta da vereadora.

Nota de Sônia Lansky

“Desde que a notícia saiu, estou sendo surpreendida com especulações diversas trazendo motivos mirabolantes para a renúncia. Honestamente, não tenho nem ideia de quem poderia ter interesse em construir notícias falsas sobre os motivos que me levaram ao afastamento.    Desde o início do mandato, tive total liberdade para seguir com as lutas que abraçamos. Nunca recebi nenhum tipo de pressão nem do partido nem de lideranças para mudar qualquer que fosse o meu posicionamento. Antes o contrário. Sempre recebi apoio. O motivo da renúncia é uma questão estritamente pessoal que tem a ver com a minha saúde. Reavaliei a minha condição de trabalho atual e percebi que ela não contribuiria para a minha melhora. Por isso, a decisão”.

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