Edilene Lopes

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Qualidade do ensino público fica exposta com aulas em TV aberta

09/06/2020 às 06:39

As aulas a distância da rede estadual de ensino, que começaram no ano mês passado aqui em Minas, podem ser interrompidas caso seja aprovado um projeto de lei da deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT). Ela sugere a suspensão das atividades remotas e a organização de uma proposta com a participação de vários atores da educação no estado. 

Em uma reunião da Comissão de Educação da Assembleia, presidida pela parlamentar, foi apresentado um dossiê que virou notícia nacional. Segundo a deputada, um grupo de professores analisou videoaulas transmitidas pela Rede Minas e 38 apostilas preparadas pela Secretaria de Estado de Educação para as aulas virtuais para os alunos da rede pública.

Conforme Beatriz, nas apostilas foram encontrados 42 erros de ortografia e gramática, 122 plágios e 89 conteúdos com erro. Também foram apontadas críticas em relação a erros de português e de conteúdo durante as aulas transmitidas na TV.

Bastidores

Nos bastidores, aliados do governo estadual afirmam que o sindicato quer manter a greve que havia proposto antes da pandemia e, por isso, é contra a retomada do trabalho, mesmo que a distância. Também dizem que a questão da qualidade do material estaria sendo levantada como pretexto para interromper o ensino remoto. 

Internamente, os defensores do ensino a distância atribuem os erros encontrados no material ao pouco tempo dedicado à elaboração deles, feitos em um mês. Mas há também uma reflexão sobre a qualidade do ensino público, que agora está exposto.

Ferida aberta

Uma de nossas fontes, que pertence ao governo estadual, afirmou: “O que está sendo visto na TV e pode ser acessado pela população hoje pela Rede Minas é o que o aluno da rede pública tem na sala de aula normalmente. Se a avaliação é de que esse conteúdo é ruim, então temos que melhorá-lo, porque é com essa bagagem que o aluno da rede estadual vai disputar uma vaga no ensino superior com um estudante da rede privada”.

Ainda de acordo com a fonte, a desigualdade entre os ensinos público e particular é uma chaga aberta na sociedade brasileira que ficou exposta com a pandemia e com a necessidade de aulas remotas na TV aberta.

Prioridade

Entre os professores que são contrários às aulas online, as opiniões são diversas. Ouvimos críticos ao material que também falaram sobre a situação laboral e a forma como se vêem nesse processo. Muitos acham absurdo o fato de terem de voltar ao trabalho de forma intensa enquanto apenas servidores da saúde e da segurança pública recebem o salário em dia. “Somos prioridade na hora de trabalhar, mas não somos na hora de receber e nem na hora de o estado investir”, afirmou uma das professoras. 

Conflito de dados

Segundo as informações da Comissão de Educação da Assembleia, 700 mil alunos em Minas não têm acesso à internet, dado que o estado nega. A Secretaria de Estado de Educação afirma que, dos 1,7 milhão de estudantes, 700 mil não têm acesso à Rede Minas, na TV aberta, mas que eles têm acessado o material pelo site, aplicativo ou recebido as apostilas em casa.

Conforme nos adiantamos na coluna na semana passada, está na Assembleia Legislativa uma minuta de projeto de resolução que prevê a retransmissão das videoaulas pela TV Assembleia. Atualmente, a Rede Minas alcança 186 municípios (Minas tem 853) para canal aberto. O estado enviou receptores para mais 85 prefeituras, que devem ser instalados em breve, ampliando o alcance para mais 120 mil alunos. A proposta é que, se houver retransmissão pela TV Assembleia, contemple mais 130 mil estudantes. 

Proposta 

A proposta de Beatriz é que sejam suspensas as aulas remotas e que o calendário escolar de 2020 seja reorganizado junto a universidades e a entidades da sociedade civil. Nem o projeto da deputada que pede a suspensão das aulas e nem o projeto que pede a retransmissão das aulas pela TV Assembleia estão na pauta de votação desta semana. 

Resposta da secretaria

Segundo a Secretaria de Estado de Educação, as apostilas foram feitas de forma célere e colaborativa pelos professores da rede estadual, sem a pretensão de atribuir conteúdo específicos a uma autoria própria. Em meados de maio, a secretaria disponibilizou anexos bibliográficos às apostilas em seus canais oficiais, como complemento do material. Ainda segundo a nota, como o tempo de preparação foi curto, desde o início das atividades a secretaria abriu um canal de comunicação para sugestões e contribuições ao material no e-mail escoladeformacao@educacao.mg.gov.br.

Enquete

A pergunta que fica é: enquanto alunos da rede particular estão estudando à distância, a rede pública deveria interromper as aulas para todos, inclusive para os que vão fazer o Enem? Ou manter a educação remota, mesmo sabendo que nem todos têm acesso integral ao conteúdo?

Quer dar a sua opinião? A enquete estará disponível no Instagram @reporteredilenelopes até esta quarta-feira (10).

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