Edilene Lopes

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Os impactos da saída de Moro para o governo Bolsonaro 

24/04/2020 às 08:22

O assunto do momento é o pedido de demissão do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. E o importante neste momento é observar o impacto disso para o governo de Jair Bolsonaro. É importante lembrar que, em uma semana, em meio a uma pandemia mundial, o Palácio do Planalto perdeu dois de seus principais ministros, ambos por discordarem do presidente. Primeiro foi o da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, demitido, e agora Moro, que pediu demissão. 

Perda eleitoral para Bolsonaro

Moro era considerado o símbolo do combate à corrupção no governo federal. No momento, é impossível mensurar o percentual do eleitorado que o presidente perderia, mas é possível refletir usando pesquisas de intenção de votos relacionadas às propostas de Bolsonaro na campanha de 2018.

Um levantamento do Instituto Data Folha, realizada entre o primeiro e o segundo turno, mostrou as razões pelas quais os eleitores votariam em Bolsonaro. Dentre vários motivos, 30% responderam que seria pela renovação, 25% por rejeição ao PT, 17% pelas propostas de segurança e 10% pelo combate à corrupção.

Só nesses itens, somando o percentual de votos pelas propostas de segurança e combate à corrupção, pelo menos 27% do eleitorado ficaria contrariado com a saída do ex-ministro. No mínimo, a saída de Moro gera um constrangimento em parte da base eleitoral do presidente. Poucos bolsonaristas afirmam que Moro seria um traidor.

Repercussão geral

Vários políticos do Brasil e de Minas, dentre eles apoiadores do chefe do Planalto, postaram que a perda é grande. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pediu a renúncia de Bolsonaro, antes que ele seja renunciado. O governador de Minas, Romeu Zema (Novo), que nunca quer encrenca com presidente, lamentou a saída de Moro.

Motivo da saída

Em pronunciamento nesta sexta-feira, o ex-ministro afirmou que desde o ano passado discorda da tentativa do presidente de indicar cargos políticos na Polícia Federal (PF). E, segundo Moro, desta vez Bolsonaro chegou a afirmar que queria um chefe na instituição para o qual pudesse ligar e que desse a ele acesso a relatórios de investigação, o que é inadimissível, de acordo com o ex-juiz.

Moro em nenhum momento citou qual seria a preocupação de Bolsonaro, mas a informação é que o presidente estaria perdendo o sono com investigações relacionadas aos três filhos: Carlos e Eduardo, por suspeita de envolvimento em uma indústria de fake news contra adversários, e Flávio pelo famoso Caso Queiroz – ex-policial e ex-assessor parlamentar de Flavio, que, em um ano, movimentou em conta bancária mais de R$ 1 milhão, o que seria incompatível com a renda dele.

Exoneração não foi a pedido

Moro desmentiu a Secretaria de Comunicação do Governo e destacou que a exoneração do diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, não foi a pedido do então chefe da polícia, diferente do que foi publicado no Diário Oficial da União desta sexta-feira. A gente sabe que essa é uma desculpa oficial comum. Às vezes há briga ou o servidor é demitido e, para não ficar ruim, faz-se um acordo de cavalheiros e para informar que a pessoa pediu pra sair. Nesse caso foi mais grave, pois demissão do diretor foi oficializada, de acordo com Moro, sem que ele soubesse.

Caiu pra cima

O ex-ministro entendeu que a permanência no governo mancharia a própria biografia, já que o compromisso que o presidente fez com ele foi de combate à corrupção e de autonomia da PF, sem interferência política na indicação e no trabalho. Para quem sabe ler, um pingo é letra.

Futuro

Ao deixar o cargo de juiz federal para assumir o ministério após de 22 anos na magistratura, Moro abriu mão da aposentadoria no Judiciário. Ele tem a opção de ir para a iniciativa privada: pode advogar e dar palestras, por exemplo, como fazem outros integrantes e egressos da Operação Lava Jato, ou entrar para política. Após 40 minutos de pronunciamento, ele encerrou dizendo que sempre estará à disposição do país. 

Moro presidente?

É um assunto em pauta desde o primeiro ano do governo de Bolsonaro e que o ex-juiz evita render. Estive com Moro em uma entrevista no ano passado, em Belo Horizonte, e o então ministro se recusou a responder sobre placas de apoio a ele, em tom de campanha, que apareceram em várias capitais e em BH. Foram colocadas no muro da sede do Exército. Apurei com partidos de centro-direita, que disseram que ele já é tido como um ótimo nome para a eleição de 2022.

Reação de Lula

O ex-presidente ainda ainda não se pronunciou. Responsável pelas condenações da Lava Jato, que culminaram na prisão do petista, Moro é apontado como o arquirrival de Lula.

Titanic

No meio dessa polêmica sobre interferência política, fica mais uma dúvida: não estaria Moro deixando o Titanic antes que ele afunde de vez?

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