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Alexandre Silveira virou peça disputada e pode ser fator decisivo no cenário eleitoral em Minas

O senador chegou a Curvelo, nesta sexta-feira (13), acompanhando do deputado estadual petista Virgílio Guimarães (com quem cumpriu várias agendas) mas, na Expô Curvelo, foi abraçado pelo governador Romeu Zema (Novo) 

13/05/2022 às 02:14
 Alexandre Silveira virou peça disputada e pode ser fator decisivo no cenário eleitoral em Minas

O senador Alexandre Silveira esteve, nesta sexta-feira (13), em Curvelo e chegou acompanhando do deputado estadual Virgílio Guimarães (PT), uma das principais lideranças do Partido dos Trabalhadores em Minas Gerais. No estado, parte do PT estadual defende a candidatura de Alexandre Silveira à reeleição, enquanto lideranças nacionais, como o ex-presidente Lula, querem a candidatura do deputado federal Reginaldo Lopes. 
Virgílio e Alexandre Silveira chegaram juntos a Curvelo, na mesma aeronave que saiu de Belo Horizonte. Juntos, eles visitaram dois hospitais da cidade, que receberam emendas destinadas pelo Senador no valor de R$ 1 milhão, e depois seguiram para abertura da Exposição Agropecuária da cidade. Na semana passada, Alexandre já havia recebido o apoio do único deputado do PCdoB na Assembleia, Celinho do Sintrocel. PC do B que faz parte da federação composta pelo PT. 


Reviravolta
De um político que poderia ter a candidatura ameaçada pelo apoio de Lula ao deputado federal Reginaldo Lopes (pré-candidato ao senado pelo PT em Minas) e ao ex-prefeito Alexandre Kalil (pré-candidato ao governo de Minas pelo PSD), o senador Alexandre Silveira (PSD) virou peça de disputa e pode mudar completamente o cenário eleitoral em Minas. 


Impasse PT X PSD
O ex-presidente Lula nunca escondeu a vontade de apoiar Alexandre Kalil (PSD), principal adversário do governador Romeu Zema (Novo), para a candidatura ao governo de Minas. No entanto, o PSD decidiu formar uma chapa puro sangue sendo composta por: Alexandre Kalil (candidato a governador), Agostinho Patrus (vice) e Alexandre Silveira (senado). Aliás, o PSD tem vários integrantes que são apoiadores de Bolsonaro e contrários ao apoio de Lula à chapa peesidista. 


Sem espaço para uma aliança formal, Lula resolveu abraçar a pré-candidatura de Reginaldo Lopes oficialmente, admitindo a possibilidade de um apoio informal à Kalil. O plano seria fortalecer Reginaldo e Alexandre Kalil e ter dois palanques em Minas. Consequentemente, a manutenção de Reginaldo Lopes no cenário enfraqueceria a pré-candidatura de Silveira, visto que as pesquisas internas dos partidos mostram que os candidatos ao senado com mais chances serão aqueles com apoio de Lula ou Bolsonaro.


Liderança de governo
No meio do impasse, surge uma novidade. Alexandre Silveira voltou a ser considerado pelo Palácio do Planalto como uma possibilidade de ser líder de Bolsonaro no senado, convite que já havia sido feito pelo presidente no início do ano. Se aceitar o convite, o senador se aproxima de Bolsonaro e ganha grande visibilidade. Alexandre Kalil já disse que não caminhará com Bolsonaro. Nesse contexto,  a candidatura do ex-prefeito poderia ser enfraquecida ou inviabilizada.


Efeito Viana
Um outro movimento ocorre pelo lado da candidatura de Romeu Zema. O governador, que antes trabalhava para descolar sua imagem da do presidente Jair Bolsonaro, com o anúncio da candidatura de Viana teme perder votos da direita. Eliminar a candidatura de Viana antes do pleito, seria algo estratégico por parte de Zema. E, segundo aliados de Bolsonaro, se Zema quiser, a aliança com o presidente ainda é possível. Essa configuração poderia retirar a candidatura de Viana do páreo. 


Peça-chave
Para a candidatura de Bolsonaro, o palanque de Zema seria o ideial. Para a candidatura de Zema, a aliança com Bolsonaro seria positiva porque eliminaria a candidatura de Viana. E se os dois atraírem a candidatura de Silveira, podem enfraquecer ou eliminar a candidatura de Kalil. Assim, Zema eliminaria seus dois principais adversários e Bolsonaro teria o “palanque dos sonhos”, como chegaram a definir alguns aliados. Neste contexto, a candidatura de Silveira, que é  defendida por parte do PT, mas considerada um problema para alguns petistas, se apresenta como a solução para Zema e Bolsonaro em Minas. Resta saber qual será a decisão de Silveira que, no momento, é o fiel da balança. A decisão do senador, que é influente entre integrantes da direita e da esquerda, pode mexer em todo o cenário eleitoral em Minas.

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