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Manifestação não é eleição, mas é palanque

Aliados e parlamentares da base de Jair Bolsonaro estão desde domingo (12) comemorando o tamanho das manifestações, organizadas pelo MBL, contra o presidente da república.

Eu conversei com alguns deles e vários também se manifestaram pelas redes sociais, inclusive e principalmente, fazendo piada. Depois do adesivaço e do panelaço, de acordo com eles, desta vez o MBL criou o vaziaço. 

Neste cenário, quatro pontos devem ser considerados:

1.     Era obvio que o protesto do MBL seria menor, porque nem se compara com uma mobilização feita pelo presidente da república e que vinha sendo organizada há semanas. O MBL teve peso nas mobilizações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, mas o movimento é uma dissidência dos apoiadores de Bolsonaro.

2.    PT, CUT e MST não participaram do protesto e quem mobiliza a esquerda, de fato, e quem criou o Fora Bolsonaro foram esses três. 

3.    Neste momento, há um ano das eleições, manifestações não determinam o resultado das urnas e também não devem resultar em impeachment.  O ato de Bolsonaro foi palanque pAra ele e o Fora Bolsonaro foi palanque para outros três presidenciáveis: Ciro Gomes (PDT), João Dória (PSDB) e Luiz Henrique Mandetta (DEM). E ainda teve João Amoedo (Novo) que, a princípio, não estará no pleito. 

4.    Último e mais importante ponto: a maioria da massa de trabalhadores que faz esse Brasil funcionar: diaristas, porteiros, garis, vendedores de loja, motoristas de coletivo, entregadores, garçons, enfermeiras não tem tempo e, às vezes, nem folga, para ir pra rua protestar. A maioria não esteve nem no protesto a favor e nem no protesto contra Bolsonaro. Os ausentes são brasileiros que não militam, mas votam e vão votar com base no preço do gás, da gasolina e dos alimentos – que precisa melhora até lá. E ainda tem os 14 milhes de desempregados que também não estavam nos protestos.

Então, nesta guerra de discursos, que vai só deve ter resultado só nas eleições, cada um aposta no que pode. E os lados escolheram como pontos principias dois elementos, que segundo os estudos da ciência política, nos últimos anos foram determinantes para os votos e no resultado das eleições: Bolsonaro vai ampliar o Bolsa Família para se fortalecer e a oposição vai insistir nas acusações de corrupção contra um dos filhos de Bolsonaro e na compra da vacinas contra a Covid. 

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