Edilene Lopes

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Literalmente vestindo a camisa: Bolsonaro e Zema usam uniforme da Usiminas em evento

27/08/2020 às 04:18

Depois de participar da cerimônia de retomada de um alto-forno da Usiminas, em Ipatinga, no Vale do Aço, o governador Romeu Zema deve participar na sexta-feira (28) da inauguração de uma cervejaria no interior do estado. Embora não houvesse nenhum investimento público envolvido, políticos participaram em peso do ato simbólico de retorno de parte das atividades da indústria de aço, que foram paralisadas pela empresa por causa da retração econômica gerada pela pandemia do novo coronavírus. Estavam presentes 14 parlamentares, 3 ministros e quatro secretários de estado. 

Vestindo a camisa

O presidente da República Jair Bolsonaro e o governador Romeu Zema, literalmente, vestiram a camisa. De todos os políticos que tiveram assento à mesa, apenas os dois usavam o agasalho de uniforme da Usiminas, na cor azul-marinho com fitas refletoras nas cores prata e verde limão e com os nomes deles bordados. Assim como o ato de religação do alto-forno, que foi ligado pela primeira vez há décadas, com a presença do presidente João Goulart, a vestimenta dos dois também é simbólica e diz respeito ao comprometimento com o empresariado. 

A atitude que gerou estranheza para alguns, na verdade, nesse caso, não passou de um ato de coerência, condizente com as propostas de campanha tanto de Jair Bolsonaro quanto de Romeu Zema, que defenderam a redução do estado e uma abertura maior de espaço para atuação da iniciativa privada, com o poder público desfazendo de estatais e simplificando processos para abertura e manutenção de empresas. 

Geração de emprego e simplificação de regras 

No discurso, o governador Romeu Zema falou sobre a atração de empresas e investimentos para Minas Gerais e também tocou no ponto da simplificação de processos que podem ser positivos na diminuição da burocracia excessiva, mas podem ser perigosos quando se fala em diminuição da fiscalização e liberação facilitada de empreendimentos de alto impacto ambiental como é o caso de atividades de mineração, por exemplo. 

Não vendo fiado

A geração de empregos, a prestação de serviços e a circulação de recursos mostram o papel fundamental das empresas na sociedade atual, mas não é por isso que vamos entregar nossas vidas nas mãos de terceiros, não é? Tem sido frequente o discurso de políticos, para defender a autofiscalização, de que é preciso confiar mais nas empresas. Mas as empresas confiam o mesmo tanto nos clientes? Existem diversas ferramentas para proteger quem vende um produto ou um serviço: aprovação de crédito, cadastro de negativação de nomes (como SPC/Serasa), comprovação de renda, cheque ou depósito caução, penhora  e a famosa plaquinha do “Não vendo fiado”, disponível em quase toda e qualquer porta de bar e mercearia por aí. Por que cargas d’água então um vendedor mereceria mais crédito que um cliente? É a pergunta que não quer calar!

Experiências negativas

A mineração que, no Brasil funciona com uma combinação de fatores que mistura autofiscalização com fiscalização pública precária, já mostrou a Minas Gerais, ao Brasil e ao mundo, com o rompimento de duas barragens em menos de quatro anos, que não é possível confiar tanto assim. A guerra constante de consumidores com operadoras de telefonia e TV a cabo, que ocupam o topo no ranking de reclamações, são a outra prova que não deixa dúvidas de que é preciso ponderar.

*As definições de palavras do dia a dia da política que citamos aqui você encontra no do ABC da Política, para consulta e compartilhamento, no Instagram @reporteredilenelopes.

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