Edilene Lopes

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Governo de Minas, flexibilização, CMBH, CDL insatisfeita e popularidade de Bolsonaro

29/04/2020 às 04:38
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Apesar de ter suspendido, momentaneamente, o ‘Assembleia Fiscaliza’ por causa da pandemia da covid-19, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais, mesmo que remotamente, continuou convidando semanalmente secretários do governo do estado para prestarem esclarecimentos na casa, durante este período, com o foco nas ações de combate à doença. Lembro que o ‘Assembleia Fiscaliza’, criado no ano passado e realizado semestralmente, foi proposto para que secretários estaduais prestem ao Legislativo e à população contas das ações da gestão. 

No formato tradicional, deputados fazem questionamentos aos secretários. Nesta quarta-feira foi inaugurada uma nova modalidade, se é que se pode dizer assim. Além do secretário estadual de saúde, Carlos Eduardo Amaral, e dos deputados, foi convidada a professora e médica Cristina Alvim, coordenadora do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que apresentou estudos e recomendações ao governo do estado. 

Testar e monitorar

De acordo com a professora da UFMG, o planejamento de testagem da doença em Minas e o número de testes realizados no momento são insuficientes para que o estado inicie a reabertura do comércio, como propõem os protocolos do programa Minas Consciente. 

Para Cristina Alvim, se considerarmos cerca de 80 mil notificações e os números de casos confirmados e descartados, os testes somam menos de 10%, percentual considerado não representativo.
A transparência na divulgação dos dados em Minas foi elogiada pela pesquisadora. Na apresentação, ela disse ainda que na Alemanha, uma semana após a flexibilização, o número de casos subiu significativamente. 

O comitê fez duas recomendações: 

1. Monitoramento rigoroso - segundo a professora, Minas deve fazer reavaliação semanal e não quinzenal. 

2. Testagem planejada - para ela, Minas está aquém do desejado e, flexibilizar no escuro, pode ser problemático. 

O secretário de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, respondeu que Minas tem sido muito criteriosa, que o monitoramento é diário e que não se trata de flexibilização e sim de coordenação, já que mais de 200 cidades, segundo ele, abriram o comércio sem qualquer orientação.

CTRL C  CTRL V

O deputado Sávio Souza Cruz (MDB), líder de um dos blocos independentes, disse que o programa Minas Consciente é um CTRL C CTRL V, uma cópia do plano de retomada dos Estados Unidos. 
O secretário de Saúde respondeu que foram usados estudos do mundo inteiro, de vários países, e que nesse caso não há como copiar, nem como ser inédito, já que as realidades são muito diferentes, mas todos os casos trazem aprendizado. 

Obras e aquisições

Logo na sequência da participação do secretário na Assembleia, o governador, Romeu Zema, anunciou a compra de mais 300 respiradores, um milhão de testes da covid e a finalização dos hospitais regionais de Divinópolis, Conselheiro Lafayette, Sete Lagoas e Teófilo Otoni. Ainda segundo Zema, o hospital de campanha no Expominas, na região Oeste de Belo Horizonte, está pronto.

Vale e Samarco

Conforme a reportagem da Itatiaia adiantou nessa terça-feira (28), apesar do sigilo do governo, os recursos para as obras e ações, no valor de R$ 645 milhões, vêm de ações de compensação da Vale e da Samarco em razão das tragédias em Mariana e Brumadinho. 

Discórdia e rejeição

Enquanto isso, em BH, conforme a Itatiaia informou nesta manhã, a discussão sobre a reabertura do comércio provoca discórdia. O presidente da Câmara de Dirigentes Logistas (CDL-BH), Marcelo de Souza e Silva, ficou furioso ao receber, por uma lista de transmissão, um convite do vereador Léo Burguês (PSL), líder do prefeito na Câmara, para uma vídeoconferência com dois secretários municipais e presidentes da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e do Sindicato dos Lojistas do Comércio de Belo Horizonte (Sindilojas) para apresentar um plano à prefeitura. 

O presidente da CDL, insatisfeito ao ser convidado para participação apenas como ouvinte, acionou a presidente da casa, Nely Aquino (Podemos), para reclamar do que chamou de “reunião de amigos”. 

Leo Burguês respondeu que foi procurado pelas duas entidades, que chamou mais dez para contribuir e que a CDL é bem-vinda no grupo. Por causa da mesma insatisfação, se sentido rejeitado pelo colega, Jair de Gregório (PSD) renunciou ao cargo de 2º presidente da casa.

Brasília caótica

Em Brasília, como sempre, situação caótica. Até Donald Trump está preocupado com a forma como o Brasil vem lidando com a pandemia, em meio a tanta confusão, e estuda restringir voos entra Brasil e EUA. 
Em mais um capítulo da novela “Saída de Moro”, o STF suspendeu a nomeação de Alexandre Ramagem para o cargo de diretor da Polícia Federal, justamente por causa da proximidade do delegado com o presidente. 

Presidente que, mais uma vez é assunto do dia, na internet e fora dela. Depois de ser questionado sobre o recorde diário de mortes do novo coronavírus no Brasil, Bolsonaro respondeu com um sonoro “É daí?”, dizendo que é Messias, se referindo ao sobrenome, mas não faz milagre. 

A pergunta tem resposta: E daí que ele é o presidente do Brasil, quis concorrer ao cargo e agora tem que agir como tal e lidar com as responsabilidades do cargo. 

Na berlinda? 

A popularidade do presidente está abalada, segundo pesquisa da Quaest, coordenada pelo cientista político Felipe Nunes. Os dados mostram que a avaliação positiva de Bolsonaro caiu para 20% e a negativa subiu para 48%; 46% das pessoas acreditam mais na versão de Sergio Moro do que na de Bolsonaro; 56% acham que Moro agiu com ética e de forma correta e 50% querem impeachment de Bolsonaro. 
Ainda entre os entrevistados, 49% dizem ter alguém na família que se arrependeu de votar no presidente e 52% acham que a saída de Moro enfraquece muito o presidente.

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