Edilene Lopes

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Flexibilização ameaçada, divergência sobre lockdown e possibilidade de impeachment

11/05/2020 às 05:28

As duas principais entrevistas coletivas desta segunda-feira colocaram em evidência mais uma divergência entre a Prefeitura de Belo Horizonte e o governo de Minas sobre as estratégias de combate à pandemia da covid-19.

"Trancar" a cidade

Enquanto o secretário de Estado Adjunto de Saúde, Marcelo Cabral, disse em coletiva que o lockdown está descartado, o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), disse, também em entrevista, que pode trancar a cidade e que a capital mineira pode ser a primeira do Brasil a adotar a medida se a população não cooperar. 

“Idiota e egoísta”

Kalil disse ainda que a data da possível flexibilização do comércio, 25 de maio, está mantida, mas é o povo que vai determinar “abertura ou lockdown”. Sobre a não utilização de máscara, o prefeito afirmou que quem não utilizar o acessório de proteção “não passa de um egoísta, de um idiota que só pensa nele, e quem sai para caminhar também”. Lembrando que, por recomendação do Ministério Público, a prefeitura não pode aplicar multa de R$ 80 para quem estiver sem máscara.

BH não é cemitério 

Alexandre Kalil também respondeu a uma apuração que a Itatiaia estava fazendo sobre a circulação de informações de que hospitais em Nova Lima e Belo Horizonte estão recebendo pacientes de outros estados. Ele afirmou que não nega atendimento a ninguém, mas que os leitos são para pacientes daqui. De acordo com Kalil, BH tem cinco pacientes do Pará, um do Rio de Janeiro, um do Espírito Santo e dois de São Paulo. A PBH vai acionar a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre a questão. O prefeito ainda deu uma direta na Vale e disse que a empresa está trazendo doentes do Pará, onde explora minério, e que deveria era ajudar o sistema de saúde do estado de onde retira riquezas. 

Flexibilização ameaçada

Nova Lima, que iniciou a flexiblização na última terça-feira (3), permitindo a reabertura de restaurantes, estacionamentos, lojas do varejo e escritórios, teve de enrijecer as normas nesse domingo. A segunda e terceira etapas da reabertura, previstas para os dias 19 e início de junho, a cada 14 dias, estão ameaçadas. Na cidade, principalmente na região do Vila da Serra, área nobre da cidade, cidadãos não respeitaram a distância entre pessoas durante o horário restrito de funcionamento de restaurantes e lotaram calçadas. Como resposta, a prefeitura soltou novo decreto proibindo venda de bebidas alcoólicas e condicionou a continuidade da reabertura à mudança de comportamento da população.  

Pico da curva

Em Minas, o pico da curva - previsto para 6 de junho - foi adiado para dia 8 de junho, mas, segundo o secretário estadual de saúde, Carlos Eduardo Amaral, os dados são reavaliados de forma constante e periódica, e tudo pode mudar. Sobre os testes, ele afirmou que ainda não é o momento de fazer a testagem em massa porque um percentual pequeno da população adquiriu a doença, muitos dariam negativo e os testes acabariam antes do momento mais crítico, já que há um desabastecimento no cenário internacional por causa da alta demanda.

Sobre a contratação de médicos cubanos, o governo, que está com dificuldades de contratar médicos para trabalharem na linha de frente da covid-19, respondeu que ainda não recebeu, institucionalmente, uma carta que teria sido enviada por 150 médicos de Cuba se oferecendo para ocupar em postos de trabalho em Minas. 

Política nacional 

O impeachment do presidente Jair Bolsonaro é um assunto que entrou na pauta entre os políticos, embora tenha os que são contra e os que são a favor. Um dos fundadores do partido Novo, João Amoêdo, concedeu uma entrevista exclusiva à Itatiaia e disse acreditar que Bolsonaro não vá levar o mandato até o final. Segundo Amoêdo, falta diálogo do presidente com a população e com as instituições. Sobre as medidas de combate à pandemia, as econômicas, como o auxílio emergencial, ele avaliou que foram positivas, mas a condução política vai mal. 

Zema candidato? 

Amoêdo afirmou ainda que Zema é um nome forte do partido e, caso não tente a reeleição em Minas e futuramente venha a ser cotado, é um nome forte na legenda para disputar a presidência. Amoêdo também falou amplamente sobre pautas do Novo que ele defende e que deveriam ser aprovadas durante a pandemia, como a contrapartida de salários de servidores públicos, mas que foram vencidas. O ex-presidente do Novo acredita que no pós-pandemia as reformas que ele julga necessárias para o Brasil, como a tributária, possam ser aprovadas com mais rapidez, por uma questão de necessidade. 

ABC da Política 

Lockdown – confinamento ou bloqueio total de atividades por um período de tempo.

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