Edilene Lopes

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Falta de vacinas para a 2ª dose é retrato do caos no combate à pandemia no Brasil

03/05/2021 às 04:30

A suspensão da segunda dose da vacina para algumas faixas etárias em Belo Horizonte e em cidades do interior de Minas é o retrato da má condução do combate à pandemia da covid-19 no Brasil. 

A interrupção da imunização para algumas idades que já tomaram a primeira dose da vacina se deve à falta de frascos da CoronaVac. Isso porque o governo federal, que é o responsável pela disponibilização das vacinas para os estados, que distribuem para os municípios, orientou as prefeituras a usarem todo o estoque para aplicação da primeira dose. No entanto, não garantiu envio suficiente para a aplicação da segunda. 

Belo Horizonte

Em Belo Horizonte, por exemplo, a partir de hoje, idosos de 67 anos que receberiam a segunda dose não foram vacinados, mesmo estando no prazo limite recomendado que é de 28 dias após a aplicação da primeira dose. Até a sexta remessa recebida na capital mineira, a prefeitura reservou a segunda dose da vacina, o que foi suficiente para atender apenas os idosos de até 68 anos. 

Embora alguns especialistas afirmem que haja uma margem de segurança de até 15 dias depois do prazo recomendado para a aplicação da segunda dose, que é 28 dias após aplicação da primeira, a verdade é que tudo a partir de agora é incerto. 

Responsabilidade

O plausível é que governo federal deve ser responsabilizado, inclusive judicialmente, caso qualquer idoso que esteja se isolando, que tomou a primeira dose e que não teve a segunda dose garantida, contraia a doença e tenha consequências graves ou morra no período em que já deveria estar imunizado. Imagine se algum funcionário de empresa privada cometesse tantos erros quanto os que estão sendo cometidos pela equipe responsável pela gestão do combate à pandemia no Brasil? Era rua na hora.

Imunização em risco

A ausência da segunda dose não apenas coloca a imunização em risco ou pode desperdiçar a primeira dose, dependendo da demora, como provoca frustração em milhares de pessoas que viram uma ponta de esperança na primeira dose, mas não estão tendo direito à segunda.  É absurdo e é cruel. 

Apesar de Minas ter recebido na quinta-feira 589.800 doses de imunizantes, 578 mil são das AstraZeneca e apenas 11.800 são da CoronaVac, quando milhares e milhares de idosos receberam a primeira dose da CoronaVac e o prazo para a segunda já venceu ou está vencendo. 

CoronaVac e AstraZeneca

Em BH, os idosos de 67 anos que estão completando 28 dias da primeira dose hoje foram orientados a voltar na próxima quinta-feira (6). Se vai ter vacina ou quando vai ter, mesmo que alguma autoridade garanta, fica difícil confiar, já que até agora muito não tem sido cumprido. 

Pfizer

Nós adiantamos hoje no Conversa de Redação que, hoje ou amanhã, o Governo de Minas deve receber as primeiras doses da vacina da Pfizer, o que é um passo importante, mas não resolve o problema de quem recebeu a primeira dose da CoronaVac há cerca de um mês e, a partir de agora, está na mão. Em BH, passam pela situação hoje pessoas de 67 anos e ao longo da semana os de 66, 65, e assim por diante – até que chegue nova remessa de vacina. O cenário é de caos. 

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