Edilene Lopes

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Depois de despejo em acampamento do MST, movimentos urbanos ocupam Assembleia e Copasa

19/08/2020 às 04:17

Depois da reintegração de posse em parte de um acampamento do MST, na cidade de Campo do Meio, no Sul de Minas, agora é Belo Horizonte e a região metropolitana que vivem mais um capítulo dos conflitos de luta pela moradia. A movimentação começou nessa terça-feira (18) quando ex-integrantes da ocupação Willian Rosa, de Contagem, que foi desfeita em 2017, acamparam na porta da Assembleia, pedindo a interlocução de deputados para o recebimento dos últimos dois meses de bolsa aluguel, sem sucesso. 

Pimentel 

As famílias, ex-moradoras da ocupação Willian Rosa, vivem de aluguel há cerca de três anos e recebem uma bolsa, no valor de R$ 450, custeada metade pelo governo de Minas e outra metade pela Prefeitura de Contagem. O primeiro acordo feito com participação do governo passado não foi cumprido e previa que Contagem doasse o terreno e os governos federal e estadual arcassem com as construções dentro do Programa Minha Casa Minha Vida. Até que fossem reassentados, os moradores receberiam a bolsa-aluguel. Com o não cumprimento do primeiro combinado, foi feito um segundo acordo em que prefeitura e governo do estado apresentariam um terreno e moradores construiriam com recursos próprios, mas até agora nada resolvido. 

Disse me disse 

A Secretaria de Desenvolvimento Social respondeu que pagou a bolsa até o fim do convênio, que venceu em dezembro de 2019, mas Contagem alega que havia combinado o pagamento compartilhado também para este ano e que o governo alegou dificuldades no primeiro trimestre e parou de cumprir. O pagamento foi feito, como no ano anterior em janeiro, fevereiro e março e a Prefeitura de Contagem pagou integral abril, maio e julho e afirmou que os  meses de julho, agosto e setembro seriam pagos governo do Estado, mas a assessoria da Secretaria de Desenvolvimento Econômico afirma que o convenio falava que o executivo estadual pagaria por 24 meses e que ao término a prefeitura daria uma solução definitiva, o que não aconteceu. Aí o Estado, segundo a secretaria, conseguiu a solução definitiva e aguarda posicionamento da prefeitura ainda. Ambos afirmam que aguardam o posicionamento um do outro.

Ação coordenada

Nesta quarta-feira, centenas de integrantes de movimentos de ocupações urbanas, ocuparam simultaneamente os prédios da Copasa, no bairro Santo Antônio, e da Assembleia Legislativa, no bairro Santo Agostinho, ambos na região Centro-Sul da capital. A ação pegou de surpresa os servidores e até a polícia legislativa que está sempre atenta. Imagens filmadas por pessoas que estavam dentro do prédio da Assembleia durante a ocupação mostram a rapidez dos militantes na entrada. Alguns policiais legislativos chegaram a ser contidos e arrastados por manifestantes que ocuparam o prédio que estava com acesso restrito por causa da pandemia de coronavírus. A casa chegou a registrar um surto com mais de 30 casos registrados de covid-19, incluindo parlamentares, mesmo estando com a maioria dos funcionários em trabalho remoto. 

Despejo zero

Embora a ação seja local, a pauta é nacional com o lema despejo zero, já que há um temor dos movimentos de que possam ocorrer reintegrações diversas. Na pauta de reivindicações está também a instalação de luz e águam em ocupações como algumas do Barreiro, em Belo Horizonte, que ficam vários dias sem uma gota d`água. Só a capital tem hoje cerca de 100 mil pessoas morando em ocupações, segundo o Movimento de Luta nos Bairros Vilas e Favelas (MLB) cerca de 80% dessas comunidades, que são reconhecidas pelo poder público, não tem nenhum processo de regularização ou urbanização iniciados, sem água, luz e CEP. 

Agostinho Patrus e Romeu Zema 

Os representantes das ocupações agora esperam ser recebidos por alguns parlamentares. O que eles querem é uma reunião com deputado Agostinho Patrus (PV), presidente da Assembleia Legislativo, que ainda não está prevista, e consiga uma reunião conjunta dos movimentos de luta por moradia com o governador Romeu Zema. 

*As definições de palavras do dia a dia da política que citamos aqui você encontra no do ABC da Política, para consulta e compartilhamento, no Instagram @reporteredilenelopes.

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