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Como a gestão da pandemia vai afetar as eleições de 2022?

Em definitivo, a gestão da pandemia é um fator que afetará as eleições de 2022. Muitos políticos insistem em falar que o pleito ainda está longe e que é cedo para comentar qualquer possibilidade de arranjo ou aliança, mas o fato é que eles não param de pensar nisso. E essa não é uma situação específica de Minas, ocorre em âmbito nacional. 

Bolsonaro e a pandemia

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido), por exemplo, mesmo com todo o apoio que tem recebido do Congresso Nacional, em especial dos partidos de centro, pode perder força gradativamente, caso não mude o rumo do barco – o que aliás, em certa medida, ele tem feito, efetivando a compra de mais vacinas e propondo Auxilio Emergencial, mesmo que em valor considerado pequeno.

Os prejuízos podem vir, principalmente, porque o ritmo da vacinação no Brasil (considerado o epicentro do coronavírus) atrasa a retomada econômica no país. Até governadores que não costumam se posicionar em desacordo com o governo federal, que é o caso de Minas, adotaram o lockdown, em função da falta de leitos. O atraso na retomada econômica afeta ricos e pobres.

Outro aspecto sobre a vacinação é o sentimento da população em relação ao cuidado do gestor. Se a vacina é considerada a solução e, em tese, a maior parte da população entende que vacinar é cuidar do povo, quem não promove a vacinação da forma necessária pode ser avaliado como quem cuidou mal da população, e isso pode se traduzir em perdas de votos.

Como a CPI pode afetar Zema

Apesar das críticas por ter feito o menor investimento em saúde durante a pandemia, em comparação com outros estados, o governador de Minas, Romeu Zema (Novo), argumentou o tempo todo que fez uma gestão eficiente, que abriu leitos e que Minas estava no topo do ranking do controle da pandemia.

Ele teria uma chance melhor de ser bem avaliado pela gestão da crise se não fosse a polêmica que culminou na CPI dos Fura-Fila da vacina. O caso pode gerar um longo desgaste ao governo estadual pelos próximos meses e, provavelmente, enterrou qualquer plano eleitoral do ex-secretário estadual de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, e do ex-secretário-adjunto estadual de Saúde, Marcelo Cabral, que foram tirados dos cargos.

Kalil: testado nas urnas depois da pandemia

Em Belo Horizonte, o prefeito Alexandre Kalil (PSD), que vinha sendo criticado por grupos políticos, comerciantes e gestores de escolas particulares por causa das medidas rígidas adotadas nos oito primeiros meses da pandemia, ainda assim venceu a eleição com 63% dos votos válidos.

O que mostra que, se a pandemia de fato é um fator importante para as eleições, apesar das críticas, a maior parte da população avaliou como positiva a gestão dele na crise. É importante lembrar que administração da crise, nesse caso, não quer dizer apenas fechar ou abrir o comércio, mas está relacionada também ao suporte dado à população. Vale ressaltar que em nenhum momento a Prefeitura de BH deixou de fornecer cesta básica aos moradores de baixa renda, o que pode ter sido um critério importante para o eleitor.

Pensando em 2022, se a avaliação da maior parte da população for de que a administração foi positiva — e 2020 foi um teste de gestão da pandemia —, esse é um dos critérios que pode credenciar Kalil à disputa ao Governo de Minas, já que os prefeitos das capitais são sempre potenciais candidatos ao governo estadual.

PV: sob nova direção

Aliás, a gestão da pandemia foi assunto na convenção estadual do PV, que definiu a nova gestão do partido em Minas pelos próximos dois anos. O presidente da Assembleia Legislativa, Agostinho Patrus (PV), que era o presidente, foi eleito vice. Osvander Rodrigues Valadão será o novo comandante.

'Formação limitada'

Durante a eleição do PV, em evento virtual, o deputado estadual Hely Tarqüínio (PV), que foi um dos relatores do orçamento estadual, afirmou que a principal bandeira do Governo de Minas apresentada à Assembleia foi o desenvolvimento econômico. Entretanto, afirmou, os parlamentares mudaram o foco e colocaram como primeira opção a correção das desigualdades para evitar a miséria, já que pandemia trouxe um prognóstico sombrio e, segundo ele, o Brasil vive sob a égide de um governo mais instintivo do que inteligente. O parlamentar declarou que o Brasil precisa de um presidente estadista e que a formação do atual chefe do Executivo é limitada.

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