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Com presidente sem previsão de alta, nome de possível interino ainda é incerto

Sem prazo previsto para que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) saia do hospital, onde está internado por causa de uma obstrução intestinal. Se ele pedir licença do cargo, na linha sucessória poderiam assumir:

- Primeiro: o vice, Hamilton Mourão (PRTB), que está em Angola e volta no domingo (18);

- Segundo: o presidente da Câmara Federal, Arthur Lira (PP), réu em dois processos no Supremo Tribunal Federal (STF);

- Terceiro: o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM).

Lira, que muitos afirmam estar de olho no cargo, reuniu-se nessa quarta-feira (14) com o presidente do STF, Luiz Fux. No momento, Bolsonaro despacha do hospital e, a princípio, não foi definido se passará por cirurgia.

Se Bolsonaro pedir licença ou ficar impossibilitado de despachar e o STF decidir que Lira não pode assumir o cargo, por causa dos processos, Pacheco seria temporariamente presidente do Brasil, até Bolsonaro se recuperar ou Mourão voltar.

Opinião: o presidente é duro na queda. Em setembro, quando esteve internado para a retirada de cálculos, ele não se licenciou. Não seria agora que ele largaria mão e abriria essa oportunidade para Pacheco, que vem sendo aclamado como um nome de terceira via pra 2022. 

Agenda intensa

Pacheco segue com a agenda a todo vapor: nessa quarta-feira (14) se reuniu com o novo ministro de Meio Ambiente e defendeu a importância da preservação das águas brasileiras, pensando na crise energética e na matriz hidrelétrica de produção no Brasil. Ele fez um acordo de líderes para votação de dois projetos que fazem parte da reforma da lei eleitoral e que garantem a presença de mulheres nas eleições e também prorrogou o prazo da CPI da Covid até novembro. 

Transporte: Minas sem lei

Foi derrubado em definitivo o decreto que acabava com a exigência da lista de passageiros para o Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem do Estado de Minas Gerais (DER-MG) com 12 horas de antecedência e com o circuito fechado – ir e voltar com os mesmos passageiros. A medida favorecia as empresas por aplicativo, que podem vender a passagem em cima da hora e não precisam ir e voltar com os mesmos passageiros foi derrubado em definitivo.

No entanto, a derrubada definitiva só começa a valer se o presidente da Assembleia Legislativa (ALMG), Agostinho Patrus (PV), promugá-la. Nos bastidores, a informação é de que, para Minas não ficar literalmente sem lei, a Assembleia atrasará a promulgação, para dar tempo de construir uma nova legislação. Mas, mesmo com esse atraso, o decreto está suspenso pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG).

A outra informação é que a decisão da ALMG torna a suspensão temporária do TCE para o decreto sem validade, mas que a oficialização pode levar uns dias. Nesta quinta-feira (15) haverá uma reunião entre deputados estaduais e o secretário estadual de Infraestrutura e Mobilidade, Fernando Marcatto.

Lobby pesado

Para tentar impedir essa derrubada, diretores da empresa de transporte de ônibus por aplicativo Buser vieram a Minas. Eles têm pedido visitas a redações para conversas com jornalistas e ligaram para vários deputados. O lobby está pesado em cima dos parlamentares.

Se a população fizesse lobby, que é tentativa de convencimento na defesa de algo, como as empresas fazem, o Brasil seria outro. Mas para fazer isso tem que ter tempo e dinheiro, o que a maioria dos trabalhadores brasileiros não tem.

Instagram: @reporteredilenelopes
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