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Carta de Bolsonaro acalma o mercado, mas partidos mantém reunião sobre impeachment

Está mantida para terça ou quarta-feira da semana que vem uma reunião de vários partidos da oposição e de outros que não são da oposição para discutir, mais uma vez, a possibilidade de impeachment de Bolsonaro. 

No entanto, a carta divulgada ontem pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), foi uma forma de acalmar os ânimos que ele mesmo acirrou com o discurso inflamado do 7 de setembro, na avenida Paulista.

Em busca do protagonismo

Muitos trataram a carta como recuo, inclusive vários apoiadores do presidente ficaram insatisfeitos, porque ele abaixou o tom. E sim, não deixa de ser uma medida de cautela. A medida foi um passo atrás racional, porque se o próprio presidente não apresentasse algo que soasse como uma solução para o acirramento da crise, o presidente do STF, Luiz Fux, ou o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM) iriam fazê-lo. 

Craque do jogo
O ex-presidente Michel Temer (MDB), nesse cenário, atacou duas questões. A primeira delas foi levar o recado do mercado para Bolsonaro, que publicou a carta que teve efeito positivo no mercado com a bolsa subindo e o dólar caindo.

A segunda foi que Temer intermediou uma ligação de Bolsonaro para Alexandre de Mores, que foi um ministro indicado por ele. Na internet, Temer levou o selo de craque do jogo e muita gente falou que não foi ele que escreveu a carta porque foi à luz do dia. O resumo da análise é que o presidente da República deu o passo certo. Resta saber, quanto tempo a calmaria vai durar e qual vai ser o tom daqui para a frente. 

Desgaste para novo presidente do TSE

Uma coisa é certa: as manifestações do 7 de setembro, mesmo que menores que o esperado segundo alguns organizadores e interlocutores do presidente, foram muito grandes. Além disso, Bolsonaro manteve acesa em seus apoiadores cativos a chama contra o ministro do STF, Alexandre de Moraes, que a partir de agosto do ano que vem, ou seja, durante as próximas eleições, será o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Se agora, Bolsonaro e parte de seu eleitorado desconfiam das urnas, imaginem com Alexandre de Moraes, presidente do TSE no ano que vem? Nesse sentido, o objetivo de desgastá-lo nas manifestações de 7 de setembro foi cumprido. 

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