Edilene Lopes

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Bolsonaro acena para eleitorado, tenta atrair mercado e é acusado de fake news

21/09/2021 às 05:19

O discurso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na abertura da Assembleia Geral da ONU foi moderado e bem escrito – do ponto de vista da escolha estratégica das palavras – apesar ter faltado com a verdade em determinados pontos, como, por exemplo, o valor total do auxílio emergencial. 

Mercado e base eleitoral 

O objetivo do discurso foi que Bolsonaro falasse para mercado, tentando demonstrar que o Brasil é um bom país para investir. O presidente falou também para o eleitorado cativo: defendeu a família tradicional, o tratamento precoce contra a Covid-19, se posicionou contra o passaporte sanitário e culpou governadores o o lockdown pela inflação no Brasil. Ou seja, de fato acenou para os eleitores mais conservadores, como previsto. 

O presidente também tentou rebater pechas como a de racista, citando que assinou convenções internacionais contra a discriminação. 

Expectativa x realidade 

Bom seria se o Brasil promissor citado em parte do discurso, fosse o Brasil vivido todos os dias pelos brasileiros. 

O presidente mencionou os investimentos em aeroportos e ferrovias e, de fato, o investimento em infraestrutura é necessário – mas, na ponta, o transporte rodoviário ainda é responsável pelo escoamento de 75% de tudo o que o Brasil produz; e com o preço dos combustíveis altíssimos, o custo de tudo o que é transportado pelas rodovias no Brasil também sobe.

O presidente citou a legislação ambiental do Brasil como a mais completa; contudo, nos últimos anos, o país sofreu os dois maiores desastres de barragens do mundo, sendo que um deles provocou uma das maiores tragédias ambientais do planeta. O investimento em fiscalização é cada vez menor. 

O presidente disse que 84% da Floresta Amazônica está intacta, mas a taxa de desmatamento na Amazônia em agosto foi a maior dos últimos 10 anos. 

Bolsonaro afirmou ainda que em dois anos e oito meses de governo não teve nenhum caso concreto de corrupção – o que é correto. Contudo, os jornais internacionais têm noticiado as investigações da CPI da Covid. O chefe do Executivo também falou sobre a geração de empregos durante a pandemia, mas, ainda assim, o país tem mais de 14 milhões de desempregados. 

Fake News? 

Por fim, o presidente falou que pagou 800 dólares de auxilio emergencial para brasileiros que estavam em situação difícil durante a pandemia; contudo, a soma por pessoa é bem menor – cerca de 620 dólares.  

O Brasil contado pelo presidente, nos aspetos de meio ambiente e economia, pareceu mais positivo do que mostra a realidade. No entanto, não teve nada que pudesse agravar a crise entre os poderes no Brasil ou que caísse como uma bomba no mercado. 

Já na internet, principalmente entre opositores, acusações de fake news não param.

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