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Além de embaixador para Genebra, Senado pode rejeitar outras indicações de Bolsonaro

Em um episódio raro, o Senado rejeitou uma indicação do presidente da República para uma Embaixada, em Genebra. Ao que tudo indica, pelo que corre nos bastidores em Brasília, essa pode não ser a única rejeição.

Fontes em Brasília afirmam que, apesar da melhoria da relação entre o Executivo e o Legislativo, o que envolve a integração de nomes indicados pelos partidos nos quadros do governo, o parlamento não anda satisfeito com indicações feitas pelo presidente e muito menos com posturas adotadas pelos ministros de Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o de Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Na leitura de muitos congressistas, os dois atrapalham diversas relações comerciais e também mancham a imagem internacional do Brasil. 

Ernesto Araújo já disse, por exemplo, que não acredita em aquecimento global, que o Brasil não está queimando a Amazônia e que foi criada uma "ditadura climática" que impede o debate. Ricardo Salles já protagonizou mais polemicas, a mais famosa delas talvez seja o “passar a boiada”, frase que disse se referindo a oportunidade que o governo teria, enquanto imprensa estava concentrada na cobertura da covid-19, de passar as reformas infralegais de desregulamentação e simplificação.

Ranço

Além da ligação com o ministro Ernesto Araújo, não ter respondido a uma pergunta da senadora Katia Abreu (PP) sobre a relacão do Mercosul com a União Europeia provocou um ranço coletivo dos senadores que derrubaram a indicação de Fábio Marzano para uma das quatro embaixadas do Brasil em Genebra.

Quem serão os próximos?

A indicação do presidente do Conselho Nacional do Ministério Público, do Conselho Nacional de Justiça e cerca de 20 nomes para embaixadas ainda devem ser avaliados pelo plenário. O voto é secreto, o que facilita a reprovação. Embora isso seja raríssimo, aconteceu pela primeira vez no governo Bolsonaro e aconteceu no governo Dilma. 

Entre os senadores, a conversa é que outros nomes podem ser rejeitados, e não estão livres do risco, nem os indicados para presidência do conselho do Ministério Público e nem do conselho de Justiça.

Treta no Senado, treta na Assembleia 

Não é só no Legislativo federal que estão ocorrendo estranhamentos peculiares com o Executivo. Em Minas, o deputado Bartô (Novo), que é do partido do governo e, em tese, da base, criticou o secretário de Planejamento, Otto Levy, por causa das declarações dadas por ele há um ano, na Assembleia, dizendo que já havia interessados em comprar antecipação de recebíveis do Nióbio e que bastava a casa aprovar o projeto.

Como até hoje a operação não foi feita., o secretário foi chamado de “Fake News” pelo presidente da Assembleia, na semana retrasada, e nessa terça-feira (15) o deputado Ulisses Gomes (PT) levou um bolo com o personagem Pinóquio dizendo que era para comemorar um ano da declaração do secretário. 

Ex-candidata na Emater 

Luísa Barreto (PSDB), que foi candidata à Prefeitura de Belo Horizonte, na última eleição, foi nomeada para presidir a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). Antes da eleição ela, que é servidora de carreira, ocupava o cargo de secretária adjunta de Planejamento do estado. A conversa de bastidores é que a ida dela para a empresa estaria relacionada a um interesse do estado em fundir a Emater com a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig).

As definições de palavras do dia a dia da política que citamos aqui você encontra no do ABC da Política, para consulta e compartilhamento no Instagram @reporteredilenelopes.