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Lisca 

04/05/2021 às 11:54
Lisca 

Há muito tempo quero retomar essa coluna com um personagem específico: Luiz Carlos Cirne Lima de Lorenzi. Suas falas são sempre marcantes e dão um tom a mais à vitória ou à derrota do América. 

Mais que isso, seu posicionamento também o faz um personagem relevante no extracampo. Há dois meses - quando comecei a coçar os dedos para vir falar dele com vocês - o Brasil iniciava mais uma de suas ondas da pandemia do coronavírus, e Lisca declarou: 

“Nosso país parou, gente. Não tem lugar nos hospitais, eu estou perdendo amigos, amigos treinadores. É hora de segurar a vida. Aqui no Mineiro tudo bem, é mais perto, mas como vão levar uma delegação do norte para o Sul. Presidente Caboclo, pelo amor de Deus, Juninho Paulista, Tite, Kéber Xavier, autoridades. Nós estamos apavorados”. 

Essa fala me arrepiou. Há muito não vemos movimentos sociais no futebol. Há tempos não conseguimos relacionar o esporte com a sociedade enquanto via de mão dupla. E Lisca, ao se posicionar sobre o estado brasileiro no auge de uma crise sanitária, se colocou como cidadão com poder de voz e representação junto ao povo. E isso, amigos, é o verdadeiro futebol. 

Há um dizer muito recorrente na atualidade que é o “lugar de fala”. Quando alguém, por sua vivência, sua experiência, tem propriedade para falar sobre um determinado tema. Como um professor que é para seus atletas, como representante filosófico que é para o América, Lisca tem se apropriado desse lugar. 

A mão que dá, no entanto, é a mesma que tira. E se eu até esse momento exaltei o treinador, deixo aqui também o meu aborrecimento com suas declarações. Dessa vez, dentro do futebol. 

Recorro a Nelson Rodrigues para lembrar que somos uma sociedade com “síndrome do vira-lata”. Nos achamos pouco demais, pequenos demais quando ninguém além de nós está pensando ou falando isso. E Lisca tem dado essa conotação ao América. 

Lisca esbraveja a cada erro consumado contra o América e sequer menciona quando o contrário acontece. Tudo bem; deve-se defender o seu. O problema é quando as palavras usadas falam de roubo e malícia, e ao ser favorecido, o conluio já não existe. 

Se fosse um torcedor, entenderia. Mas um treinador, não. Além de ser um profissional, ele é exemplo a pelo menos mais 22 profissionais e aos milhões de torcedores envolvidos. 

Não dá para brigar o jogo inteiro, trazendo pra si a atenção que deveria estar em campo. Não dá para discutir com jogador adversário é muito menos entrar em briga de porta de vestiário. Não dá, Lisca, para dar entrevista desrespeitando clube, história e torcedores alheios. Isso ultrapassa seu “lugar de fala” de um profissional racional para um espaço de torcedor de arquibancada. 

Lisca é tão bom que vive com sondagens, tão bom que tem colocado o América em patamares elevados e merecidos, tão bom que tem espaço e voz em toda imprensa brasileira, principalmente na Rádio Itatiaia. 

É preciso deixar de vez essa síndrome de vira-lata. Afinal de contas: Lisca é doido ou doído?

Foto: Marina Almeida / América

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