Brasil e Índia ampliam cooperação agrícola e abertura de novos mercados em Nova Délhi

Em missão oficial, ministros brasileiros e indianos discutem abertura de mercados para novos produtos e cooperação em bioinsumos

Ministro da Agricultura e Bem-Estar dos Agricultores da Índia, Shri Shivraj Singh Chouhan e os ministros Carlos Fávaro, da Agricultura e Pecuária, e Paulo Teixeira

O Brasil e a Índia deram um passo decisivo para consolidar uma parceria comercial. Nesta sexta-feira (20), durante a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à capital indiana, os ministros Carlos Fávaro (Agricultura e Pecuária) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) reuniram-se com o ministro indiano Shri Shivraj Singh Chouhan para alinhar a expansão das exportações e a cooperação tecnológica no campo.

O encontro focou em transformar o potencial agrícola das duas nações em resultados práticos e elevar o comércio bilateral — que atingiu US$ 15 bilhões em 2025 — para a marca de US$ 20 bilhões até 2030.

Novos mercados e troca de produtos

O Brasil sinalizou a abertura de seu mercado para a romã e a noz macadâmia indianas. Em contrapartida, o governo brasileiro busca viabilizar a exportação de feijão-guandu, além de ampliar a presença da carne de frango e da erva-mate no mercado indiano.

“Tratamos da ampliação das relações comerciais e da complementaridade produtiva. O Brasil está pronto para novos intercâmbios que tragam previsibilidade e crescimento aos nossos produtores”, afirmou Carlos Fávaro.

Tecnologia e sustentabilidade

Além das trocas comerciais, a cooperação técnica ganhou destaque em áreas de ponta:

  • Bioinsumos: Pesquisa conjunta para reduzir a dependência de fertilizantes químicos.
  • Inovação: Aplicação de Inteligência Artificial e mecanização adaptada a climas tropicais.
  • Genética: Fortalecimento da presença de empresas brasileiras de genética bovina na Índia.

ApexBrasil inaugura sede em Nova Délhi

Um dos marcos da visita foi a inauguração do primeiro escritório da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) na Índia, o 11º posto internacional. A unidade funcionará como uma “ponte permanente” para empresas brasileiras no país mais populoso do mundo.

O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, projetou um cenário ainda mais otimista a longo prazo, sugerindo que o fluxo de comércio entre as duas potências tem potencial para alcançar US$ 100 bilhões dada a sinergia entre as economias.

Números do avanço comercial

O momento é de recordes históricos para a diplomacia comercial brasileira:

  • Recorde em 2025: as exportações brasileiras para a Índia somaram US$ 6,9 bilhões, o maior valor em duas décadas.
  • Novos mercados: nos últimos três anos, o agro brasileiro conquistou mais de 537 novos mercados globais.
  • Oportunidades: um mapeamento da ApexBrasil identificou 378 oportunidades imediatas de exportação em setores que vão de alimentos a energias renováveis e tecnologia em saúde.

A presença fixa em Nova Délhi visa garantir que o empresariado brasileiro tenha suporte local para navegar no complexo e promissor mercado indiano, transformando as discussões diplomáticas em contratos e desenvolvimento econômico.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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