A pecuária brasileira encerrou 2025 com números recordes, mas, ao contrário do que a lógica da oferta indica, o preço da arroba segue em ascensão neste início de ano. Dados consolidados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e analisados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) revelam que o país abateu o recorde de 42,5 milhões de cabeças no ano passado, consolidando um ciclo de expansão produtiva iniciado em 2020.
O volume de 2025 superou em 8,2% o total de 2024 e apresentou um crescimento de quase 25% frente a 2023. Quando comparado a 2022, o salto é de 42,6%.
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Pilares do recorde
Segundo pesquisadores do Cepea, três fatores principais explicam essa “explosão” de oferta:
- Investimento tecnológico: reflexo do capital injetado no campo desde 2020.
- Ciclo pecuário: o estágio atual da atividade favoreceu a maior disponibilidade de animais.
- Descarte de fêmeas: estratégia de manejo que elevou substancialmente o volume de abates.
Por que o preço não caiu?
Apesar da oferta abundante de proteína, os preços não despencaram. O desempenho recorde das exportações regulou o mercado e serviu como válvula de escape ao escoar o excedente e atenuar a pressão de queda sobre os preços no mercado interno.
Neste mês, o cenário virou: o Indicador do Boi Gordo CEPEA/ESALQ já acumula alta superior a 5%, operando na casa dos R$ 340,00.
“No momento, os valores são sustentados pela menor disponibilidade de animais prontos para o abate no mercado físico e pelo excelente ritmo de escoamento da carne, tanto para as gôndolas brasileiras quanto para o exterior”, apontam os analistas.
Raio-X da evolução do abate (milhões de cabeças)
| Ano | Volume de Abate | Crescimento vs. Ano Anterior |
| 2022 | 29,8 mi | - |
| 2023 | 34,0 mi | +14,1% |
| 2024 | 39,2 mi | +15,3% |
| 2025 | 42,5 mi | +8,2% |
O setor inicia 2026 com o desafio de manter o equilíbrio entre a oferta recorde e a demanda global aquecida, garantindo rentabilidade ao pecuarista e competitividade no cenário internacional.