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Bezerra que ainda não nasceu é leiloada por R$ 3 milhões; montante será destinado às vítimas do RS

Filha de Viatina Mara Móveis é uma das centenas que já foram ou ainda vão ser gestadas para pagar a conta do valor investido no animal

Uma bezerra que ainda não nasceu e está sendo gestada por meio de uma “barriga de aluguel”, foi leiloada por R$ 3 milhões ontem (15) num leilão que tem o objetivo de arrecadar recursos para as vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul.

A bebezinha é filha de Viatina Mara Móveis que entrou para o livro dos Recordes ao ser comercializada no mês passado por R$ 21 milhões.

No 1º Leilão Agro Solidário, realizado pelo Programa Leilões e Parceria Leilões, foram ofertadas 100 cotas de R$ 30 mil, num total de R$ 3 milhões. O embrião é fruto de um cruzamento de Viatina com o também premiado touro Kayak TE Mafra.

O engenheiro agrônomo - especialista em pecuária leiteira e consultor-master do Sistema Faemg - Walter Miguel Ribeiro, explicou que quando se tem uma vaca valiosa como Viatina é comum retirarem constantemente os óvulos para implantar em outros animais, aproveitando-se, assim, ao máximo a genética e ajudando a pagar o investimento milionário feito com sua aquisição.

Segundo ele, as principais características que fazem uma vaca ser muito valiosa são:

  • beleza;
  • robustez
  • ascendência (pai, mãe ou irmãos mais velhos premiados em exposições);
  • grande capacidade de produção de leite (se for um vaca de leite) ou de carnes nobres (se for uma vaca de corte);
  • características raciais próprias de sua linhagem.

As empresas responsáveis por Viatina realizam 10 coletas de óvulos por ano, num procedimento conhecido como “aspiração”. Em cada sessão, é possível recolher 80 óvulos, que são levados para laboratórios para serem fertilizados in vitro com o sêmen de um touro. Cada procedimento gera 10 prenhezes (gravidezes), o que dá 100 por ano, no total, levando-se em consideração as possibilidades de aborto ou mortes prematuras.

"É normal ter uma perda de 20% a 25% dos bezerros”, explicou o veterinário de Viatina, Cleiton Acelves Borges.

Segundo ele, a ‘vaca mais cara do mundo’ é um banco genético que permite produções com diferentes objetivos.

“Se você quiser produzir animais de pista, ela vai oferecer toda essa beleza racial. Se quiser produzir carne ao consumidor, ela vai oferecer toda a qualidade de carne nobre”.

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Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais ‘Hoje em Dia’ e ‘O Tempo’ e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.



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