Edilene Lopes

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Zema: reunião com Guedes e pagamento do funcionalismo adiantado

21/07/2020 às 04:17
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Embora não esteja na agenda oficial, a informação de bastidores, em primeira mão aqui na coluna Em Cima do Fato, é de que o governador Romeu Zema tem uma reunião na tarde desta terça-feira, às 16h30, com o ministro da Economia, Paulo Guedes, para tratar do prazo para votação da reforma da Previdência. Oficialmente, o governo não confirma que haverá a videoconferência. No entanto, nenhum membro do governo desmentiu até agora.

Tudo o que o governo não queria 

Conforme a Itatiaia informou em primeira mão, aqui na coluna, e confirmado pelo secretário de Planejamento de Belo Horizonte, André Reis, o ministério sinalizou aos municípios que vai publicar nos próximos dias portaria flexibilizando o prazo para a votação em estados e municípios de 31 de julho para 31 de dezembro. Isso era tudo o que o governo do estado não queria e esse deve ser o assunto de Zema com Guedes, em instantes. 

Pode levar mais tempo

Em entrevista exclusiva à Itatiaia, o presidente da assembleia, deputado Agostinho Patrus (PV) afirmou que trabalha com a ideia de votar até a segunda quinzena de agosto, mas que não descarta a possibilidade de a discussão levar mais tempo se uma parte dos deputados achar que é necessário.

Desandou

Nessa segunda-feira (20), a live que Zema fez na página de Instagram dele para falar da reforma da Previdência caiu como uma bomba na Assembleia Legislativa. Três dos quatro blocos da casa, inclusive a base, rebateram o governador. A fala de que os servidores têm estabilidade, o que os coloca em situação melhor que 90% da população e de que a reforma para o funcionalismo mantém mais direitos que a reforma para os demais trabalhadores, foi considerada ofensiva para alguns.

Rachadinha

A declaração de que sindicalistas, que agora estão contra a reforma, ficaram “caladinhos” quando o governo anterior atrasava salários, não repassava recursos de empréstimos consignados aos bancos e não pagava as prefeituras também gerou forte repercussão. O governador usou a palavra saquear para se referir à atuação da gestão anterior e a palavra “rachadinha” para se referir à relação do executivo com os sindicatos. Segundo Zema, sindicalistas não falavam nada porque o governador pode dar emprego “para a turminha deles”. 

Demora e processo 

O deputado Sávio Souza Cruz (MDB), líder de um dos blocos independentes, afirmou à Itatiaia que a afirmação atrapalha a tramitação da reforma e pode gerar processo contra o governador.

O deputado petista, André Quintão, líder da oposição, classificou como ofensivas e lamentáveis as falas do governador. 

Funcionalismo mal interpretado

O líder do bloco da base, deputado Gustavo Valadares (PSDB), também divulgou nota afirmando que respeita profundamente o funcionalismo e que, às vezes, são feitas interpretações equivocadas sobre a categoria. “Quando o seu filho cursa uma escola pública, quem cuida dele, quem o ensina e o ampara, é um servidor. Quando você vai a um posto de saúde ou a um hospital do SUS, quem lhe socorre, é um servidor. Quando a sua vida está em risco, quem arrisca a própria vida por você, é um servidor. Quem elucida crimes, quem os julga, quem defende deveres e direitos de cada cidadão, quem cuida do meio ambiente, é um servidor. Quem nos ajuda a elaborar leis e fiscaliza atos do nosso Estado, é um servidor", escreveu o deputado tucano. 

Eleitorado em disputa

Entre defesas ideológicas e de crenças, tem mais um elemento nessa história. Ao ser mais duro em relação ao funcionalismo, que disse na live que veio para resolver problemas, atinge uma parcela considerável do eleitorado, formanda por servidores públicos. São 600 mil entre ativos e inativos, multiplicando por quatro, que seria o número padrão médio da família brasileira, grosso modo, poderiam ser lidos como mais de 2 milhões de votos e mais de 10% do eleitorado mineiro. Ao mesmo tempo, o governador ganha pontos com a parcela da população que acredita que a maior parte do funcionalismo tem mais privilégios que o restante dos cidadãos. Já os deputados, que também ocupam cargos públicos eletivos, ao fazer a defesa dos servidores, minimizam o desgaste o funcionalismo.

Morde e assopra 

Se nessa segunda (20) as palavras de Zema foram vistas como severas, hoje o governador pode ter amenizado o ranço com a publicação da antecipação do pagamento da segunda parcela do salário do funcionalismo que estava prevista para sábado (25) e foi antecipada para amanhã (22). No Twitter, o governador afirmou: “Como sempre faço, determinei que fosse dada prioridade ao pagamento do funcionalismo público. Sendo assim, conseguiremos adiantar o pagamento”. Teria o governador, conseguido diminuir a fúria provocada com as declarações de ontem? 

*As definições de palavras do dia a dia da política que citamos aqui você encontra no do ABC da Política, para consulta e compartilhamento, no Instagram @reporteredilenelopes.

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