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Um ano após queda de ponte, Gênova chora por vítimas e apela por justiça

Colapso de viaduto deixou 43 mortos no dia 14 de agosto de 2018

Por Ansa Brasil, 14/08/2019 às 12:20
atualizado em: 14/08/2019 às 12:22

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O desmoronamento da ponte Morandi, em Gênova, o qual deixou 43 mortos no dia 14 de agosto de 2018, completa um ano nesta quarta-feira(14) em meio a uma série de homenagens às vítimas e protestos por justiça.

Uma missa em memória das pessoas que perderam a vida acontece sob o novo pilar 9 do viaduto. A cerimônia é celebrada pelo arcebispo da cidade italiana, o cardeal Angelo Bagnasco, que fez a leitura dos nomes das vítimas.

O rito religioso foi interrompido às 11h36 (horário local), hora exata da tragédia. Os sinos de luto, o som das sirenes dos navios no porto e as buzinas dos motoristas de táxi prestaram a homenagem.

O Presidente da Itália, Sergio Mattarella, que foi recebido sob aplausos, abraçou as famílias das vítimas antes da comemoração.

Nem todos os familiares participam do evento. Alguns chamaram o rito de uma passarela de políticos e protestaram por justiça.

Estiveram presentes também o CEO da Atlantia e ex-diretor administrativo da Autostrade per l'Italia Giovanni Castellucci, um dos suspeitos pelo colapso, além do atual CEO da Aspi, Roberto Tomasi, e outros representantes. Segundo relatos, a delegação da Autostrade per l'Italia foi convidada pelo prefeito de Gênova, Marco Bucci. Depois de pouco tempo, no entanto, o grupo deixou o galpão após reclamação das famílias das vítimas.

"Um ano depois da tragédia da Ponte Morandi, a diretoria da Autostrade per l'Italia, a diretoria da Atlantia e os trabalhadores de todo o grupo renovam suas condolências e a mais sincera compaixão pelas vítimas do colapso e pela dor de suas famílias", diz a concessionária em carta publicada nos jornais italianos.

"Estamos conscientes e profundamente arrependidos pela gravidade do sofrimento e dos transtornos causados a toda a comunidade genovesa pelo colapso da Ponte Morandi", acrescenta o texto. O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, afirmou que Gênova, hoje, é um símbolo do desejo de renascer. "A reconstrução começou. A nova ponte terá que ser viável em abril do ano que vem. Agradeço a todos pelo trabalho feito em conjunto. A ponte será o símbolo de renascimento". Para Bucci, o momento é de recordação e comemoração, porque Gênova "quer crescer, merece uma infraestrutura de primeiro nível e a cidade é unida e colabora". "Tanto no lado oeste como no lado leste da ponte ainda estamos trabalhando hoje, não interrompemos as obras, a nova pilastra 9 é de quase 20 metros, já temos 11 pilares com fundações. Estamos respeitando o plano de trabalho, estou convencido de que no final de abril de 2019 vamos inaugurar a ponte", explicou o prefeito de Gênova.

As causas do colapso ainda estão sob investigação, mas suspeita-se de falha estrutural. Até o momento, ninguém foi responsabilizado pela tragédia, justamente por isso as celebrações também são marcadas pelo protesto de familiares das vítimas. "Como uma nação não podemos jogar fora. Devemos ter coragem e precisamos encontrá-la novamente. Queremos justiça. Se falta justiça, um Estado democrático não faz sentido. Nós perdemos um pedaço do nosso coração, que não pode mais ser devolvido. A dor da morte deles é absurda que não podemos nos resignar e aceitar", disse Egle Possetti, representante das famílias.

Segundo ela, todos que perderam um ente querido no desabamento da ponte têm "sobrevivido por um ano". "Gostaríamos de voltar à vida, mas é como uma montanha para escalar: não podemos mais pensar em abraçá-los e ver o sorriso deles. O que aconteceu é inaceitável", indagou.

Papa Francisco - O papa Francisco recordou as vítimas em uma carta enviada ao povo genovês e fez um apelo para que todos jamais percam a esperança.

"Foi uma ferida infligida no coração da cidade, uma tragédia para quem perdeu os próprios parentes, um drama para os feridos, um evento assustador para quem foi obrigado a deixar as próprias casas vivendo como deslocado", relembrou no texto publicado no jornal italiano "La Stampa" ontem (13).

Jorge Bergoglio disse lembrar sempre de rezar pelas vítimas e afirmou não ter "respostas", porque "depois dessas tragédias só se pode chorar, permanecer em silêncio e interrogar sobre a razão da fragilidade daquilo que construímos e, sobretudo, rezar". Projeto - A demolição da Ponte Morandi teve início em fevereiro passado, com a desmontagem do tabuleiro de 800 toneladas e 36 metros de comprimento que resistira ao desabamento. No entanto, no dia 7 de março, as autoridades italianas suspenderam a demolição após encontrar amianto, um mineral altamente cancerígeno, no pilar 8 da estrutura, e só retomaram dias depois.

Já as obras de reconstrução da estrutura foram iniciadas no dia 15 de abril, com a instalação da primeira das 11 colunas que sustentarão as fundações de um dos pilares da nova ponte.

A demolição total foi finalizada na última segunda-feira (12), enquanto que a reconstrução ainda está em curso e ficou a cargo do consórcio PerGenova, formado pela estatal Fincantieri e pela construtora privada Salini Impregilo. O projeto foi feito pelo arquiteto e senador vitalício Renzo Piano e é estimado em 200 milhões de euros, com expectativa de conclusão para abril de 2020.

Inaugurada em 1967, a ponte havia sido construída por meio de um método desenvolvido pelo engenheiro italiano Riccardo Morandi baseado em uma ponte estaiada, mas com as pistas suspensas por cabos de concreto, e não de aço, como é mais comum.

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