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Segunda chance - realidade ou ilusão': você daria oportunidade para um ex-detento?

Por Redação , 24/10/2019 às 11:37
atualizado em: 24/10/2019 às 14:58

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No quarto capítulo da série especial “Segunda chance - realidade ou ilusão”, o repórter João Felipe Lolli foi às ruas e perguntou: “Você daria oportunidade para um ex-detento?”.

Quantas vezes você suportaria levar um não, ter as portas fechadas por um erro que cometeu há 15 anos? Esse é o desafio que enfrenta Rafael*, egresso do sistema penitenciário. Em 2005, ele se envolveu num roubo de veículo, mas foi preso apenas em 2016. Ficou onze meses detido, sendo que em nove pode trabalhar fora da cadeia. O homem de 34 anos tem dois filhos e era caminhoneiro. Hoje reclama que não consegue mais oportunidades de trabalho.

Ouça a reportagem completa com João Felipe Lolli

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“A pessoa ter oportunidade de trabalhar com certeza ajuda sim no processo de regeneração da pessoa. Já vivi coisas de que eu ia viajar para outra cidade para poder carregar, não consegui carregar o caminhão por causa justamente que a seguradora não aprovar a minha ficha. Eles falam não e não tem como você articular, conversar, acaba tornando a história de quem é um ex-presidiário muito difícil”, lamenta.

Fernanda Oliveira, presidente da Assessoria Popular Maria Felipa e Articuladora da Frente Popular pelo Desencarceramento, destaca que um antecedente criminal não pode ser o resumo do caráter e da capacidade de uma pessoa. 

“As pessoas têm que entender que o crime não resume uma pessoa, é uma coisa que ela fez na vida, ela é muito maior do que isso. Enquanto a gente resumir as pessoas a um artigo do código penal a gente não vai conseguir sair dessa situação, mais do que oferecer um trabalho que ganha um salário mínimo, a gente precisa oferecer acolhimento a essas pessoas”.

Maria Teresa dos Santos, presidente da associação de amigos e familiares de pessoas em privação de liberdade, afirma que a falta de oportunidade pode levar à reincidência na prática de crimes. “O que faz a gente ter esse alto índice de reincidência é a falta de oportunidade de trabalho”.

Andrea Ferreira, psicóloga e pedagoga que realiza trabalho com detentos e egressos do sistema penitenciário, afirma que a frustração por não conseguir emprego pode ser um caminho para o mundo do crime. “Eles toleram a frustração muito pouco, ela te derruba e é mais fácil virar aviãozinho do que tomar tanta porta na cara”.

Nesta sexta-feira (25), no quinto episódio da série, vamos ouvir mais um egresso do sistema penitenciário. Será que ele conseguiu retomar a vida e arrumar um emprego? 

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