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Rota obrigatória para inúmeros destinos, estradas do Norte de Minas são alvo fácil para bandidos

04/08/2017 às 12:50

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Rafael Nonato/Itatiaia

A viagem começa pela BR-040. Privatizada, a rodovia tem pista dupla, postos da concessionária e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) até o trevo de Curvelo. Depois, pegamos a BR-135, que liga a Região Central ao Norte de Minas. Primeira parada: Buenópolis. E até caminhoneiro novato no trecho já conhece a fama da rodovia. 

“Eu liguei agora para o meu companheiro, porque não conheço muito este trecho. Uma velocidade que dê para a gente andar em 80 (quilômetros), a gente tem que andar a 30, 20 por hora, o que facilita muito uma abordagem (dos criminosos)”, disse o caminhoneiro Ângelo Araújo Machado, que saiu de Recife com destino ao interior paulista e se queixava das condições da rodovia.

Na BR-135, pelo menos 20 ocorrências de roubos de carga foram registradas entre janeiro e abril deste ano, segundo levantamento da Federação das Empresas de Transportes de Carga do Estado de Minas Gerais (Fetcemg). Os números parecem tímidos, mas por um motivo: faltam registros oficiais de ocorrências. 

“Muitas das vezes nós estamos trafegando sob estas estradas desertos. A gente não encontra nenhum apoio em termos de fiscalização, em termos de policiamento. Tem casos em que as pessoas nem querer fazer ocorrência mais, porque sabem que não tem solução o problema”, explicou Antônio Henrique Sapori, presidente das Empresa de Transporte de Carga do Norte de Minas.

Clique e ouça a reportagem completa de Rafael Nonato e Alessandra Mendes. 

A BR-251, que liga Montes Claros ao extremo norte de Minas, é outra que faz parte das rotas do medo. Na rodovia, pouca gente se arrisca a rodar à noite. “Não fui (assaltado) porque corri. Eles tentaram botar o carro na frente, mas eu passei e fui embora. Depois de passar não tem mais jeito de passar na frente não”, relatou o caminhoneiro José de Anchieta Carneiro. “Se você brincar eles roubam até a cueca”, acrescentou.  

Um dos trechos mais temidos pelos motoristas que transportam cargas fica entre Montes Claros e Francisco Sá. Nossa reportagem fez o percurso no final da tarde. São menos de 50 quilômetros, mas buracos, desníveis na pista e filas enormes de caminhões e carretas que se apressam para não rodar à noite, congestionam a BR-251. Por volta das 19h, vimos dois caminhões parados. Um deles era do Adriano. Ele e um companheiro de estrada saíram de Salvador rumo a São Paulo, quando um dos veículos quebrou. 

Quem socorreu Adriano foi o Marcos. Mecânico experiente, ele está acostumado a trabalhar nesse trecho da BR-251, entre Montes Claros e Francisco Sá, e conhece muito bem os riscos que os caminhoneiros correm. “É perigoso demais. À noite assim é perigoso. De umas oito horas em diante, a gente larga para o outro dia”, contou o precavido mecânico.  

A BR-365, que vai de Montes Claros até Uberlândia, é passagem obrigatória para quem vai do Norte do estado para o Triângulo. Mais uma que tira o sono dos motoristas. “Tivemos um veículo roubado na 365. Encontrei este veículo em Uberlândia, carga fechada nossa. Só conseguimos resgatar este veículo em função dos equipamentos e das medidas que a gente toma aqui de rastreamento, medidas de segurança. Senão teria tido prejuízo”, relatou João Veloso, gerente de uma transportadora. 


João Veloso teve uma carreta da transportadora onde trabalha roubada recentemente 

E é justamente esse caráter de passagem obrigatória para outros destinos que faz das estradas mineiras áreas de grande risco para os motoristas. “No caso de Minas tem um agravante, porque Minas é um estado de passagem de mercadorias, principalmente produzidas nas regiões Sul e Sudeste, com destino às demais regiões. Nós vemos com muita preocupação esse crescimento (roubo de cargas). De toda forma o setor tem tentado se mobilizar, tentado estreitar o diálogo com as autoridades, porque se trata efetivamente de um problema de segurança pública”, explicou Bruno Batista, diretor-executivo da Confederação Nacional do Transporte. 

A viagem pelas rotas do medo continua nesta quarta-feira. Nossa equipe percorreu os pontos mais críticos da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ladrões atuam à luz do dia em locais movimentados e com policiamento.

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