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Psiquiatra forense defende prisão perpétua para psicopatas: ‘O Brasil é um paraíso para eles'

Por Renato Rios Neto , 28/08/2017 às 12:36
atualizado em: 31/08/2017 às 11:06

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Renato Rios Neto/Itatiaia

Na realidade de uma penitenciária de segurança máxima há os autores de crimes bárbaros que podem se enquadrar no perfil de psicopatas, com características diferentes – delitos em série ou com perversidade extrema – do bandido comum, que usualmente quer apenas o lucro.

Estão na Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, presos como Frederico Flores, do Bando da Degola, e Pedro Meyer, o Maníaco do Anchieta. Ambos foram procurados pela reportagem, mas prefiram o silêncio.

Deparamo-nos, porém, com Marcos Antunes Trigueiro, de 39 anos, o Maníaco de Contagem, condenado a 80 anos de prisão por assassinar e estuprar cinco mulheres.

Na cadeia, Trigueiro foi vítima de um atentado a facadas. Ele diz que sua adaptação na unidade foi, de certa forma, difícil devido à repercussão dos casos. “Um pouco [complicada], mas dá para levar”, relatou, sucinto, como de hábito. Atualmente, o detento participa de atividades ligadas ao artesanato na Nelson Hungria.

Ele alega ter se arrependido dos crimes. “Arrependo, arrependo muito do que fiz”, relata. Questionado se queria pedir perdão às famílias das vítimas, esquivou-se. “Sobre isso eu não tenho nada a falar, não.”

Reprodução/TV Alterosa

Trigueiro conta que, quando sair, quer voltar à sua rotina normal, anterior aos crimes. “Trabalhar, cuidar da minha família...” Ele acredita na possibilidade de recuperação de um preso. “Assim como eu estava com o meu primo e, na época, ele saiu [da Nelson Hungria]. Vai voltar a jogar de novo. Ele vai ter a segunda chance, o ex-goleiro Bruno.”

‘Paraíso’

O psiquiatra forense Paulo Repsold discorda e afirma que, para psicopatas, não há esperança de recuperação. No máximo, a possibilidade de um controle severo pelo Estado.

“A prisão pode contribuir em conter isso socialmente. A sociedade vai ficar segura porque ele [psicopata] está preso ali e não vai fazer isso de novo. Dentro desse vício de cometer crimes para satisfazer as necessidades doentias, a cadeia realmente ajuda a diminuir um pouco aquela compulsão. Ao longo do tempo a pessoa vai ficando mais sossegada, mais tranquila, mas é um ambiente artificial, não é o da sociedade”, ressalta.

Para o especialista, a cadeia não cura esse tipo de criminoso, mas protege a sociedade dele. Repsold critica a legislação penal brasileira, que considera amena para os psicopatas. “Eu brinco sempre falando que o Brasil é um paraíso para os psicopatas porque a lei aqui é muito branda, muito tranquila.”

Ele pondera ter questionamentos quanto à pena de morte, mas é favorável à prisão perpétua para alguns tipos de criminosos. “Como você vai pegar alguém que matou 100 pessoas, fica preso 20 e tantos anos e depois você libera ele? É difícil acreditar que o risco de ele voltar a matar em série é praticamente abolido”, argumenta.

Artesanato

Abaixo, o "Super Porco", assim batizado por seu criador o boneco de pano feito por Frederico Flores, do Bando da Degola, na penitenciária Nelson Hungria:

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