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Prosa Poética, no programa Tarde Ponto Com, por Mary Arantes: 'Crônica de uma morte anunciada'

Por Por Mary Arantes , 06/09/2019 às 13:59
atualizado em: 06/09/2019 às 14:24

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Anos atrás, viajei para Salvador à trabalho e, nessa época, tinha a empresa Mary Design. Minha gerente de vendas, Lúcia, jamais me ligava quando eu viajava à trabalho, ela sempre teve autonomia para resolver quase tudo. Eis que, logo pela manhã, ela me liga. Estava eu na feira de São Joaquim, lugar que amo, e ela com um papo de aranha, querendo saber se estava tudo bem. Não entendi o motivo dela ter me ligado, e segui em frente em minhas tarefas diárias.

No meio do dia, sou surpreendida com uma ligação do meu filho. Com uma voz séria, meio afobada. Depois de me escutar dizendo alô ao celular, pode relaxar e me contar realmente o que havia se passado por aqui. Uma rádio da cidade, anunciou o falecimento da Mary, dona de uma marca de moda na cidade. Ninguém escutou direito o sobrenome e foram todos à cata da minha pessoa.

Tenho uma amiga que era editora do jornal da Rede Globo, na época, e ela me disse que lá é de praxe, checarem a notícia antes de divulgá-la, e um carro já estava destacado para ir até minha casa. Nessa hora, a notícia da minha morte já tinha sido anunciada, inclusive, compartilhada com outras amigas que fazem parte de um grupo de literatura que temos. Ainda bem que naquela época não existia o WhatsApp.

Eis que Dona Acy, mãe da Adriana Pereira, uma querida amiga, liga direto para o meu filho pra saber se eu tinha morrido, e foi aí que a casa caiu ou quase caiu. Ele, sem desligar a Dona Acy, pegou o telefone fixo e me ligou para conferir o que ela dizia para ver se era verdade. Não sei como o menino não enfartou. Quando eu disse alô, e ele conferiu que eu estava viva, veio o alívio.

Quem havia morrido era a Mary Caetano, dona de lojas na cidade com o mesmo nome, mas daí pra ser eu foi um pulo, já que nós duas trabalhávamos com moda. Nem sei mais com que cara eu fiquei na época, com certeza de “finada” ou de missa de sétimo dia, mas não foi nada agradável imaginar que eu tinha morrido. Ou quase!

Só sei que a quantidade de gente que me ligou após este trágico dia, foi imensa. Dona Acy tadinha, chorava e dizia que naquele momento ela soube o quanto me amava.

Na época nem existia a expressão fake news, mas é muito sério gente, compartilhar mentiras ou o que não temos certeza, muito menos sem saber a fonte de origem. No mais, depois deste dia em que quase morri, danei a dizer para tudo mundo que amo, o quanto os amo. Homenagens póstumas podem ser boas pra quem fica, mas pra quem vai não deve ter o menor sentido. Pelo menos acho eu!
 

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