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Presos conhecidos pelo canibalismo e pela rebeldia relatam conversão à religião na cadeia

Por Renato Rios Neto, 01/09/2017 às 16:45

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Renato Rios Neto/Itatiaia

Entre as celas, pavilhões e anexos da penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, chama a atenção o papel fundamental e onipresente da religião. Grupos de oração, de estudo da bíblia, pastores, templos improvisados, elementos que fazem parte do cotidiano da prisão.

Se esta conversão é sincera, só o tempo e a liberdade poderão dizer, mas o certo é que são centenas de relatos de presos que juram ter mudado de vida através da fé e da religião.

O detento Girleno Alves da Silva, de 40 anos, o Baiano, está condenado a 150 anos de prisão por homicídio e assalto à mão armada. Ele já foi considerado um dos presos mais problemáticos do sistema prisional mineiro, liderando rebeliões, tumultos e tentativas de fuga. Agora, diz ter sido mudado pela palavra de Deus.

“Eu era usado pelo inimigo em todos os lugares por onde passei. Aqui [na Nelson Hungria] que Deus me encontrou perdido”, conta.  “Antigamente, eu procurava alguém que me matasse e não achava. Eu procurava um jeito arrumando problema, fazendo rebelião, matando os outros, brigando. Fui para a [penitenciária] Francisco Sá três vezes e, em 2010, tive um encontro com Jesus lá.”

O preso promete que, quando sair, não voltará a cometer crimes. “Eu tenho uma proposta com Deus. Se for preciso, eu vou fazer o que eu não fiz quando era menor, quando eu era moleque de rua e comia casca de banana. Se for preciso, vou voltar a pedir na rua, mas não mexo com mais nada errado nessa vida.”

Pessoas que possuem um passado marcado pela violência e crueldade extrema com atos insanos e monstruosos, como até o mesmo o canibalismo, a exemplo de Wesley Pereira, de 39 anos, conhecido como Ex-Suicida, com passagem por homicídio e assalto à mão armada.

“Fui um menino que cresci com muito tapa na cara, muito murro, meu pai desprezando, humilhando e acabei crescendo revoltado. Aos 13 anos tomei a iniciativa de me tornar um psicopata. Me envolvi no satanismo, fiquei 10 anos envolvido. Cheguei ao grau de bruxo, segui a linha negra. As pessoas que na lei do crime vacilava, eu pegava, esquartejava, comia olho, orelha, coração.”

A promessa também é de nunca mais voltar ao caminho errado. “Isso eu tenho convicção, certeza.” Ele afirma: o crime não compensa. “É ilusório, te dá um poder provisório. Status. Não vale a pena”, garante.

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