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Preso que chegou semianalfabeto faz faculdade dentro da penitenciária Nelson Hungria

Por Redação , 31/08/2017 às 14:40
atualizado em: 01/09/2017 às 16:34

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Os presídios brasileiros são conhecidos como universidades do crime. Certamente, professores dessa disciplina nefasta não faltam atrás das grades para aqueles que querem se aprofundar na criminalidade. Mas e aquele que buscam outro caminho? Será que tem acesso à educação?

Na Nelson Hungria, nossa reportagem acompanhou uma aula de perto. Dentro de uma cela, uma professora ensinava português para detentos condenados pelos mais diversos crimes. Hoje são cerca de 300 presidiários que estudam dentro da prisão, do nível fundamental ao superior.

Mas nem tudo são flores. A última rebelião na unidade, em fevereiro de 2013, teve como refém justamente uma professora. Essa situação de extremo risco levou com que as aulas fossem suspensas por três anos nos pavilhões consideramos mais perigosos. Atualmente, as aulas voltaram, mas os professores ficam separados dos detentos por uma grade.

Valdiceia dos Santos, diretora da Escola Estadual Paulo Freire, que funciona dentro da Nelson Hungria, diz o que mudou após a rebelião. “A gente tem certo cuidado pelo local que trabalha, mas tem um respeito muito grande dos alunos e a gente tem por eles. Eles gostam muito dos professores. Mudou no sentido de ter mais cuidado.”

Ela relata já ter sido alvo de discriminação por trabalhar em um presídio, mas acredita na ressocialização. “Faço com todo o carinho, e da mesma forma os professores.”

Jeanderson Porto Pereira foi condenado a 56 anos de prisão por tráfico de drogas, assalto à mão armada, furto e sequestro. No sistema prisional, tem construído uma carreira: fez o ensino fundamental, o médio e, agora, cursa o superior em ciências contáveis. Tudo dentro de uma penitenciária de segurança máxima.

“Entrei aqui no primeiro fundamental. Com ajuda da direção, hoje estou cursando faculdade. Fiz o Enem duas vezes e, na segunda, tive uma nota até razoável e consegui uma vaga pelo Sisu.” As aulas são por ensino à distância.

Jeanderson revela que entrou no crime por ver a situação difícil dentro de casa. “Não é justificativa, mas infelizmente é o próprio sistema. Você vê a mãe trabalhar e não ter o que te dar no final do mês... Cria um caminho para tentar resolver um problema que a gente acha que vai resolver. Aí o crime fica ali, de janela e porta aberta, tudo escancarado para você entrar. E aí, meu irmão, quando você entra, para sair é muito difícil.”

Para o detento, a recuperação deve partir da própria pessoa. Ele tem certeza em afirmar que a vida de delitos não compensa. “Não adianta sonhar com dinheiro. Isso é história de conto de fadas, isso não existe. O crime é diferente, não vale a pena. Você pode fazer o que quiser, o dinheiro vai acabar. Às vezes você vai ter dinheiro e não vai ter condições de gastar. Enquanto você estiver aqui dentro seu dinheiro não vai valer nada. Você vai ser só mais um no sistema”, alerta.

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