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Preconceito é principal entrave para volta de ex-detentos ao mercado de trabalho

Por Redação , 25/10/2019 às 09:07
atualizado em: 25/10/2019 às 09:15

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Foto: ARQUIVO/AGÊNCIA BRASIL
ARQUIVO/AGÊNCIA BRASIL

“Primeiro mês: ‘meu amor, minha vida, meu filho querido, todo mundo te ama’, segundo mês as pessoas já começam a te olhar meio assim ‘pô, mas esse cara não arrumou trabalho até agora?’, terceiro mês já está todo mundo te xingando e provavelmente quem vai estar de braços abertos oferecendo uma excelente oportunidade de trabalho com uma remuneração muito superior ao que o mercado oferece é o tráfico”. O relato é de Fernanda Oliveira, presidente da Associação Popular Maria Felipa e Articuladora da Frente Popular pelo Desencarceramento. 

Ouça a reportagem completa com João Felipe Lolli

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O enredo sintetiza a realidade de muitas pessoas que deixaram o sistema penitenciário. Mas nem sempre é assim. Dos 12 aos 23 anos, quando foi preso, Marcos* foi usuário e traficante, lidando com carregamentos enormes de drogas que vinham de fora do país. Ele ficou preso por quatro anos em regime fechado, dois no semiaberto, e mais dez meses sob monitoramento eletrônico. A prisão foi decorrente de uma ação que investigava tráfico de drogas do Paraguai para o Brasil e envolveu a Polícia Internacional e o Departamento de Narcóticos da Polícia Federal. Marcos saiu em 2015 e hoje trabalha numa instituição de ensino. 

“É uma situação muito delicada. Eu não tenho problema nenhum, porque foi algo que passou na minha vida, não sou mais criminoso. Mas a sociedade é muito preconceituosa, por mais que hoje eu tenho um outro tipo de vida, sou pai de família, cuido da minha vida, pago minhas contas, sou um cidadão hoje de bem, muita gente ainda não entende isso”, conta.

Ele acrescenta que seu passado não é exposto. Quem sabe da sua trajetória no local onde trabalha é somente os superiores. “Justamente por causa de preconceito”, ressalta.

Marcos ainda aconselha quem está terminando o semiaberto. “Primeiramente é agradecer por estar vivo, porque essa vida do crime não compensa, e saiu é procurar estudar, procurar fazer o correto, cuidar da família e fazer o bem, porque plantar o bem recolhe o bem”.

A psicóloga e pedagoga Andrea Ferreira aponta dois polos principais neste debate: a sociedade saber receber egressos do sistema penitenciário e também os ex-detentos terem persistência. 

“A sociedade ainda não está preparada para absorver essas pessoas, existe o preconceito e existem falas do senso comum, senso raso, que vai falar assim ‘por que você vai dar trabalho para uma pessoa que é um bandido, quando tem tanto pai de família que trabalharia pelo mesmo tanto, então tem essa questão sim. É provar que essas pessoas precisam de chances porque não existe pena de morte e não existe prisão perpétua. O outro desafio é provocar nas pessoas que estão no sistema o desejo de sair, de se reencontrar na sociedade e não desanimar nas primeiras dificuldades”. 

Neste sábado (26), na última reportagem da série “Segunda chance – realidade ou ilusão” vamos mostrar iniciativas que buscam capacitar e dar oportunidades para ex-detentos. 

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