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Moradores relatam mortes por depressão em Brumadinho: ‘A Vale vem nos matando a cada dia’

Por Redação, 25/06/2019 às 11:22
atualizado em: 25/06/2019 às 12:14

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Foto: Itatiaia
Itatiaia

Um dia de homenagens às vítimas e de lembranças. Nesta terça-feira, 25 de junho, faz cinco meses do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, região Metropolitana de Belo Horizonte, que até o momento deixou 246 mortos – 24 pessoas ainda estão desaparecidas e os trabalhos de resgate continuam sendo feitos pelo Corpo de Bombeiros. 

Ao meio-dia será realizado um evento no Centro do município. Às 12h28, horário exato em que houve o rompimento da barragem, será respeitado um minuto de silêncio e orações serão feitas. Ouça aqui

Em meio à tristeza e o luto que persiste, a certeza que fica é que não há tempo que apague as marcas deixadas pela tragédia na cidade localizada a cerca de uma hora e meia da capital mineira. A tragédia atingiu os moradores, mesmo que indiretamente, e muitos não resistiram à dor. 

“Isso aconteceu na nossa cidade. Perdemos duas senhoras, uma há quinze dias e a outra há dez. Elas ficaram fragilizadas. Eram senhoras que caminhavam, conversavam e tinham um convívio com a comunidade. Pessoas boas que, com esse sentimento de dor e sofrimento, se debilitaram e com uma tristeza grande no coração faleceram. Adoeceram de tristeza e perderam a vida. A Vale vem nos matando a cada dia um pouquinho”, desabafa a comerciante  Sara de Souza.

Ela tem uma papelaria que vende material escolar para crianças no Córrego do Feijão, comunidade onde está localizada a mina em que ficava a Barragem B1, que rompeu em 25 de janeiro. O local foi o mais atingido, assim como o Parque das Cachoeiras.

“É um momento muito doloroso para mim. Eu sou nascida e criada no Córrego do Feijão e as lembranças ficam cada vez mais difíceis, porque eu saio na rua e vejo pessoas que perderam mães, pais, filhos, netos, e a dor deles é a minha dor.

Meu coração sofre em saber que aquelas pessoas foram assassinadas por essa mineradora. Quem está por fora, não conhece o nosso convívio e a história que a gente tinha. Cada dia que passa fica pior e não vemos solução, a Vale não tem feito nada para nos ajudar nesse momento”, completa. 

Como comerciante, Sara teria direito a receber um incentivo indenizatório da mineradora, porém ela diz que ainda não recebeu. 

Em nota, a Vale informou que 266 famílias de vítimas em Brumadinho receberam como doação, cada uma, R$ 100 mil. Além disso, 101 residentes de imóveis da zona de autossalvamento receberam R$ 50 mil e 96 pessoas que tiveram os negócios ou produção rural impactados pelo rompimento R$ 15 mil. 

Um auxílio no valor de um salário mínimo para adultos, meio salário para adolescentes e um quarto para crianças também está sendo pago a todos os moradores de Brumadinho e para residentes de outros municípios que vivem até um quilômetro do Rio Paraopeba, atingido pelo rejeito de lama de minério. 

Ainda conforme a mineradora, pessoas que estiverem interessadas em formalizar acordos para indenizações podem procurar a Defensoria Pública ou os escritórios da Vale instalados na cidade.

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