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Moradores de Barão de Cocais sonham com a volta da vida antes da ‘lama invisível’ 

Por Redação , 26/09/2019 às 11:33
atualizado em: 26/09/2019 às 18:24

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Foto: Rafael Nonato/Itatiaia
Rafael Nonato/Itatiaia

Moradores de Barão de Cocais, na região Central de Minas, convivem com o que chamam de “lama invisível” desde fevereiro, o que tem afetado o comércio e o turismo na região. Isso por causa do risco elevado de rompimento da barragem Sul Superior, da mineradora Vale. A Itatiaia foi à cidade e ouviu o desabafo da população, que pede para que a vida volte ao normal. 

Esta é a segunda matéria da série “Cidades em risco: no rastro do prejuízo”, dos repórteres Rafael Nonato e Alessandra Mendes. No primeiro episódio da especial, a Itatiaia mostrou a situação do comercio e da agricultura de Brumadinho, na Grande BH. A tragédia na cidade completou oito meses nessa quarta-feira (25) e vitimou 270 pessoas.

A sirene alertando o risco de rompimento da barragem Sul Superior, da mina Gongo Soco, soou no dia 8 de fevereiro. Desde então, 196 famílias tiveram que sair de casa e, atualmente, vivem em imóveis alugados e hotéis pagos pela Vale. 

O prefeito de Barão de Cocais, Décio Geraldo dos Santos (PV), cita que a construção de um muro de segurança deu sobrevida à economia, mas que é algo temporário. “Eu falo que vivemos um falso milagre econômico, porque a construção desse muro movimentou alguns setores, mas sabemos que é algo rápido. A construção deve terminar em dezembro. Esses empregos são para pouco tempo.” 

Com relação ao turismo na cidade, a queixa é de um nome arranhado pelo risco de tragédia. “Tem que ser feito um investimento muito grande na cidade, é isso que lutamos com a Vale. Tem que se pensar nesse investimento curto, médio e longo prazo. Está impregnado no nome de Barão de Cocais o risco de rompimento de uma barragem”. 

Solange Maria Machado tinha um comércio em Socorro, comunidade totalmente isolada pelo risco do rompimento da barragem. Ela conta que recebeu uma indenização de R$ 5 mil depois de sair às pressas de casa. O dinheiro já acabou e, atualmente, ela sobrevive de faxinas.

“Minha cabeça está bagunçada, eu frequento psicólogo. Meu marido está doente por causa desse problema. Ele entrou em depressão. Eu vivo com um bico aqui, outro ali. Está muito difícil. Não tem como eu falar que está legal”, desabafa.

Também morador de Socorro, Adélio Gonçalves diz que a vida foi completamente alterada. “Não há dinheiro que pague. A gente não se une mais. Nos reuníamos à tarde para sentar no barzinho e colocar a conversa em dia. Tudo isso acabou. A vida da cidade não é igual a da roça. A gente não vai esquecer o toque da sirene, no dia 8 de fevereiro, que mexeu eternamente com nossas vidas”, relembra. 

Em nota, a mineradora ressaltou que oferece moradia às famílias que tiveram de deixar suas casas e que negocia acordo indenizatório com os atingidos. 

Na próxima matéria da série especial, que vai ao ar na manhã desta sexta-feira (27), no Jornal da Itatiaia 1ª Edição, a reportagem mostrará a situação de Macacos, distrito de Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, que também foi afetado pela “lama invisível”.

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