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Januário Carneiro

Ele bebia rádio. Ele tomava rádio no café da manhã. Ele almoçava rádio. Ele jantava rádio. Ele dormia rádio. Ele sonhava rádio

Por Da Redação, 23/07/2021 às 15:14
atualizado em: 29/07/2021 às 16:22

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Foto: Arquivo pessoal
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“Ele bebia rádio (esse era seu vício). Ele tomava rádio no café da manhã. Ele almoçava rádio. Ele jantava rádio. Ele dormia rádio. Ele sonhava rádio (e mais do que sonhar, realizava seus sonhos)”.

Este parágrafo da crônica homenagem do escritor e amigo Roberto Drummond, escrita no jornal Hoje em Dia, em maio de 1994, mês da morte de Januário Carneiro, talvez seja a maneira mais clara e simples de definir o fundador da Rádio Itatiaia.

O garoto, que nasceu em 1928, na cidade de Patrocínio do Muriaé (MG), montou uma emissora no quintal de casa, no bairro Serra, a Rádio Júpiter, contando com a irmã Ester como intérprete de sucessos da época e o caçula Emanuel para percorrer a vizinhança avisando que estavam no ar, pois o alcance não superava cinco quarteirões, transformou este sonho numa potência.

O homem que consumia rádio o dia inteiro, fez da vanguarda a marca da sua emissora. Isso nos anos 1950, quando Belo Horizonte tinha menos de 500 mil habitantes e eles conviveram com novos tempos na comunicação da cidade.

 “Com o perdão da palavra, fizemos o diabo no rádio de Belo Horizonte, e a cidade já não estava admirada, estava assustada”, disse o próprio Januário sobre a caminhada da Itatiaia para se transformar em sinônimo de rádio de Minas para o Brasil e também a América e o mundo.

Numa época em que o rádio tinha como padrão o rádio teatro, a programação musical, os programas de auditório, ele abriu espaço para esportes e notícias.
Talvez a maior prova de ousadia tenha acontecido em 1959, quando a Itatiaia tinha apenas sete anos de vida. No livro “Uma paixão chamada Itatiaia”, de Eduardo Costa e Kao Martins, em comemoração ao cinquentenário da emissora, é relatada como foi feita a primeira transmissão internacional do rádio mineiro.

No ano seguinte ao primeiro título mundial da Seleção Brasileira, que foi conquistado em 1958, na Suécia, a equipe da Itatiaia, composta, além de Januário, por Osvaldo Faria,
Ulpiano Chaves e Pedro Capeta ia para Sabará, fazer um jogo entre Siderúrgica e América, com o rádio do carro sintonizado na Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, uma potência na época.

O locutor Jorge Curi anunciou a compra dos direitos de transmissão do Campeonato Sul-Americano da Argentina, em março e abril de 1959, quando Ulpiano deu início às brincadeiras afirmando: “Pois é, a Nacional vai para Buenos Aires e nós para Sabará”.

O tema provocou risadas no grupo, mas virou desafio para Januário. No dia seguinte ele fez as contas, viu que precisava vender três cotas para conseguir comprar os direitos e pagar as despesas de viagem da equipe e o sonho se concretizou.

Em 10 de março de 1959, no primeiro jogo oficial da Seleção após o título mundial do ano anterior, na Suécia, a Itatiaia fazia a primeira transmissão internacional do rádio mineiro, o empate por 2 a 2 do Brasil com o Peru, no Estádio do River Plate, na capital argentina.

A frase “nós abrimos para o rádio de Minas o caminho de todos os continentes”, criada por Januário e uma marca da Itatiaia, nascia como fruto do pioneirismo.

É de autoria dele uma das frases que marcam a Itatiaia: “Nós vendemos espaço, não vendemos opinião”. E foi com este pensamento que Januário destacava que a emissora ficou maior do que o sonho. “O sonho era pretensioso, cheio de ambição, mas a realidade foi maior do que esse sonho. É de verificar que essas coisas aconteceram por força de certos fenômenos, e o maior e mais importante deles, também isso tem sido repetido, é que eu nunca neguei que sou um homem convencido de que todas essas coisas boas e importantes aconteceram porque, em primeiro lugar, esteve presente, atuou e funcionou, antes do trabalho de todos nós, o dedo de Deus”.

São dezenas, centenas de passagens que ilustram o que significa Januário Carneiro para a comunicação em Minas Gerais e no mundo. Mais uma vez, a genialidade de Roberto Drummond, na mesma coluna homenagem ao amigo, logo após a sua morte, serve mais uma vez como o melhor resumo para a história de vida de Januário Carneiro. 

“Foi, não apenas, um jornalista e um radialista de raro talento. Foi muito mais que um vencedor. Antes de tudo, como um guerrilheiro do ar, ele abriu caminhos, abriu clareiras. Como se fosse um partido político. Como se fosse uma seita religiosa. Como se fosse uma igreja. Como se fosse um militante do Amanhã Futebol Clube. Foi assim que Januário contribuiu para a modernidade de Minas e, em particular, de Belo Horizonte”.

E o cronista prosseguiu: “Das alegrias todas que minha vida de jornalista e escritor me deu, uma delas é ser contemporâneo de Januário Carneiro. É ter a alegria de saber, como uma notícia boa que chega da frente de combate, que Januário Carneiro estava tecendo os fios do seu sonho e da sua vitória pessoal. Uma vitória pessoal tão grande que acabou sendo uma vitória de Minas. Em nome do Amanhã Futebol Clube, Januário Carneiro, eu te saúdo. Em nome da mania que Minas tem: a de dar asas a nossos sonhos e quimeras”.
 

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