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Itatiaia entra na Nelson Hungria e conta como estão alguns dos presos mais perigosos de Minas

Por Renato Rios Neto , 21/08/2017 às 10:07
atualizado em: 30/08/2017 às 17:10

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Renato Rios Neto/Itatiaia

A Itatiaia entra na penitenciária de segurança máxima Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, local onde habitam alguns dos presidiários mais perigosos do estado.

A partir desta segunda-feira, no Jornal da Itatiaia 1ª Edição e no Itatiaia Patrulha, o repórter Renato Rios Neto apresenta a série “Atrás das grades: a realidade depois que a casa caiu”, para mostrar que o crime não compensa – apesar de o contrário ser um discurso tão comum no Brasil, por causa da impunidade – e que, sim, as escolhas têm consequências.

Renato Rios Neto esteve com bandidos que cometeram graves crimes. Muitos são verdadeiros monstros que passarrão uma vida dentro da cela. Homens condenados a até 189 anos de prisão. Você saberá o paradeiro dos responsáveis por delitos que chocaram nosso o estado.

Neste primeiro dia, um sequestrador e homicida, único sobrevivente de um dos casos de entraram para a história do Brasil: o sequestro do coronel Edgar na década de 90, um crime que completa 27 anos nesta semana.

A penitenciária

A Nelson Hungria é uma das maiores penitenciárias do sistema prisional mineiro. Fundada em 1989, a unidade tem 2.200 detentos divididos em 12 pavilhões e quatro anexos.

No local vivem detentos condenados por alguns dos crimes que mais tiverem repercussão em Minas Gerais. Homicídios, sequestros, estupros, roubo a bancos, entre outros. Gente que cruzou a linha da lei e paga pelas próprias escolhas.

O juiz de execuções penais de Contagem, Wagner Cavalieri, explica que lá há presos que procuram voltar melhor à sociedade e os que querem permanecer no crime. “A gente tem que dar uma oportunidade para aquele sentenciado que quer buscar a ressocialização. Para aquele que não quer, basta o cumprimento da pena.”

O sequestro

Dentro da Nelson Hungria está um dos presos mais antigos da unidade: Milton Rosa, o Popó, de 59 anos, um dos sequestradores do coronel Edgar Soares.

Em agosto de 1990, Popó e quatro comparsas renderam quatro policiais militares e fugiram da penitenciária em um carro-forte. Os criminosos foram a Juiz de Fora, na Zona da Mata, e, no meio do caminho, mataram um dos reféns. Um caso que marcou a crônica policial de Minas para sempre.

Os sequestradores chegaram a falar ao vivo na programação da Itatiaia, como lembra a repórter Mônica Miranda. “Popó, Leitão, Tiãozinho, Peninha e Geraldinho. Esses nomes eu nunca mais esqueci desde quando cheguei na rádio e comecei a falar com esses sequestradores por telefone.”

A jornalista passou três dias em ligações com o grupo criminoso. “Eu não saí da rádio. Ficava o tempo todo com eles no ar. Jornalisticamente, foi emocionante. Num determinado momento, numa segunda-feira eu estava ao vivo no programa do José Lino, o Rádio Vivo, e eles ameaçaram matar o coronel. Eu negociei com esses sequestradores no ar para que não matassem”, conta.

Baleado por 18h

Atual chefe da Defesa Civil de Belo Horizonte, o coronel Alexandre Lucas era um jovem tenente da Polícia Militar em 1990 e foi uma das vítimas do sequestro. Ele viu um amigo morrer em sua frente, foi baleado na perna e, dentro do carro-forte, ficou 18h sem receber atendimento médico.

O coronel conta que, numa manhã de agosto, foi com companheiros para a Nelson Hungria fazer a última cena de um vídeo institucional, mas houve uma rebelião de presos e os militares foram rendidos. “Lá na penitenciária houve uma negociação. Reféns foram trocados por um carro-forte e nos deslocamos de Contagem a Juiz de Fora.”

Em Esmeraldas, ainda na Grande BH, houve uma reação das vítimas dentro do carro, afirma Lucas. “Eu tomei um tiro na perna, o Maurício infelizmente faleceu também em virtude de um tiro e outro refém também tomou um tiro”, descreve.

De acordo com ele, Popó era o mais violento do grupo na penitenciária. “Ele tinha uma faca e cortou a minha farda – isso, para um militar, é extremamente dolorido. Ele me espetou, bateu na minha cara.”

Coronel Edgard Soares é libertado após 12 dias mantido como refém - Reprodução/TV Globo

Anos depois, Lucas e o sequestrador se reencontraram em uma igreja batista do Bairro Regina, na Região do Barreiro, em Belo Horizonte. “Eu tive a oportunidade de dar um abraço nele e dizer que o perdoava, e realmente o perdoei. A Bíblia diz que Deus perdoa o pecado, mas não inocenta o culpado. Ele vai ter que pagar a dívida até o último centavo”, frisa o coronel.

Popó

Milton Rosa tem passagens por homicídio, assalto e sequestro. Último sobrevivente da quadrilha que sequestrou os policiais, ele se diz arrependido e convertido à religião.

Popó, que diz ter “inaugurado” a penitenciária, relembra sua trajetória na unidade. “Na primeira fuga que teve nessa cadeia, fui um dos primeiros a passar por cima do muro. Depois, houve o sequestro do coronel Edgar Soares. Nós éramos cinco. Só sobrou eu com vida. Depois, [os outros] voltaram para a cadeia e os próprios companheiros foram matando um por um. Saí de condicional e retornei – não foi porque eu fiz delito, foi porque eles revogaram a minha condicional”, enfatiza.

A entrada no crime, ele admite, foi para buscar uma vida mais fácil. “Eu era trabalhador, trocador de ônibus. Minha família é evangélica, sabe? Eles queriam que eu fosse para a igreja. Eu queria sair de casa porque queria ir para os bailes, curtir.”

Questionado se a vida delituosa compensou, é incisivo: “Depois que chega aqui dentro, numa cela, ninguém é amigo de ninguém, a não ser Jesus”, afirma ele, acreditando na possibilidade de ressocialização dos presos. “Para Deus, nada é impossível”, destaca.

Assista: relembre o sequestro dos policiais militares por detentos da Nelson Hungria

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