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Ex-integrante do PCC condenado a 189 anos de prisão diz porque se cansou do mundo do crime

Por Renato Rios Neto , 22/08/2017 às 11:01
atualizado em: 31/08/2017 às 15:30

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Renato Rios Neto/Itatiaia

O que leva a alguém entrar no mundo do crime? Vítimas da sociedade? Lares desestruturados? Ou uma escolha pessoal?

Na penitenciária de segurança máxima Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, percebemos que muitos dos que estão atrás das grades estão cientes dos seus delitos e admitem que, no fundo, tudo é uma questão de escolha. O livre arbítrio.

Dentro da cela o condenado pode fazer a sua escolha: repensar e sair do crime ou se aprofundar ainda mais nele. É o que acredita o agente prisional Humberto Eustáquio, que todos os dias se depara com a realidade do sistema prisional

“Os presos não são todos iguais. Tem o preso que cai aqui e realmente muda, ressocializa e volta, mas tem outros que são fechados com o crime. Um exemplo são os membros do PCC [o grupo criminoso Primeiro Comando da Capital]. Eles falam dentro do pavilhão que a vida deles é o crime e que não vão mudar”, conta.

Ficamos frente a frente com um ex-membro do PCC: Gilmar da Fonseca Silva Júnior, de 31 anos, condenado a 189 anos de prisão por homicídios, tráfico de drogas e assalto à mão armada. Ele tem no peito o nome da facção que, atualmente, controla dois pavilhões do presídio. Em um relato impressionante, o homem revela porque escolheu viver no mundo do crime.

“Eu tive pai preso, mãe presa, minha ex-mulher também ficou presa. Se eu pegar do começo até agora, foram reviravoltas, decepções. Hoje em dia eu consigo ver que o crime, querendo ou não, é uma escolha pessoal. A minha foi essa. Parece que já nascemos para escolher errado para consertar lá na frente”, admite.

Gilmar diz que entrou na facção quando esteve na penitenciária Francisco Sá, também de segurança máxima, na cidade de mesmo nome, no Norte de Minas. “[Eu estava] preenchendo aquela lacuna. Tudo que relaciona ao PCC é dor, sofrimento, ódio, rancor. Tem a parte da revolução também, só que revolução pelo mal”, explica.

O detento lembra que desistiu de integrar o grupo quando o filho dele nasceu. “Senti que precisava fazer de forma diferente para mostrar a ele que é possível. Eu não necessito mais daquilo, eu não tenho necessidade de completar nenhuma lacuna. Eu já tenho quem completa a minha lacuna. Dito e exposto isso para eles, alguns não gostaram, é verdade. O que eu vou fazer? Nem Jesus Cristo agradou todo mundo.”

Ele ressalta: o crime traz consequências. E aconselha que se evite caminhos errados. “Transforme, transforme. Todos temos dentro da gente a revolução imprópria colocada dentro da gente, mas que essa revolução não seja pelo lado maligno da forma que eu fiz. Que ela seja uma revolução do bem. É uma opção. Todos têm a opção de negar. Negue, porque senão vai sofrer bastante”, avisa.

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