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Ex-funcionário dos Correios usa o trabalho na cadeia para redimir pena e preencher o tempo

Por Renato Rios Neto, 31/08/2017 às 17:05

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Foto: Renato Rios Neto
Renato Rios Neto

Cabeça vazia é a oficina do diabo. Um ditado que dentro de uma penitenciária de segurança máxima se torna uma verdade absoluta. Se na rua a maioria dos condenados escolheu o crime como meio de vida, atrás das grades, aqueles que tem bom comportamento podem ter direito ao trabalho, uma forma de diminuir a pena com a remissão e, principalmente, de ocupar a cabeça.

Para ter acesso ao trabalho, o detento tem que obedecer a uma série de requisitos, como explica o diretor de segurança da penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Catulo Gomes.

“A partir do momento em que o recluso é entregue a uma penitenciária, ele tem direitos e deveres. Se ele não cumprir com os deveres, alguns direitos serão restritos. A partir do momento em que o recluso comete alguma falta disciplinar, fica suspenso de ter algum benefício como o trabalho”, diz Gomes.

Nos postos de trabalho da Nelson Hungria histórias de vida marcadas por escolhas erradas. Pessoas que optaram pelo crime e agora sentem as consequências desses atos.

Seja pelo dinheiro, pela história de vida, pelas drogas, como é o caso de Alessandro da Costa Andrade, de 40 anos, um ex-funcionário dos correios, que abandonou o emprego para entrar de cabeça no mundo do crime. Ele tem passagens por homicídio, sequestro e assalto a mão armada e cumpre pena de 63 anos.

“Quando eu vi que ia ficar preso alguns anos eu [percebi] que tinha que recuperar esse tempo de alguma forma. Eu já me formei no fim do ano passado no ensino médio e todas as oportunidades que são me dadas para ler eu abraço”, conta Alessandro.

Ele afirma que entrou para a vida do crime devido às drogas, e que, se não fosse ela, estaria bem aqui fora. O emprego, diz, “foi uma oportunidade de ouro que eu perdi por más companhias”.

Por isso, acredita que o crime não compensa e manda um recado para quem quer entrar nessa vida. “Se eu não estivesse preso, eu já estaria morto. Dê valor ao pai, à mãe e estude. A vida de preso não é boa igual as pessoas falam, não. É boa para quem não gosta de trabalhar, correr atrás, para quem não tem perspectiva de vida. Para mim, que tenho a minha família, isso aqui não é vida, não. Eu quero mudar de vida quando sair daqui”, relata.

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