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Corpo é encontrado em conservação três semanas após tragédia, revela diretor do IML

Por Redação, 19/02/2019 às 14:24
atualizado em: 19/02/2019 às 15:30

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As buscas por vítimas do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, Região Metropolitana de Belo Horizonte, entraram nesta terça-feira no 26° dia e as equipes de resgate carregam a incerteza de localizar todos os desaparecidos, que somam 141 pessoas, de acordo com dados divulgados na segunda (18) pela Defesa Civil estadual. 

No entanto, o diretor do Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte, José Roberto de Rezende Costa, revelou que três semanas após a tragédia um corpo foi encontrado em conservação. Para ele, esse estado é qualificado como “ponto médio fora da curva” e “chama atenção”. 

José Roberto explica que, nos casos de conservação dos corpos, eles estão enterrados na lama ou em material semelhante ao minério e todos em um ambiente úmido. “A literatura médica mostra que a ação da umidade, de alguns minerais, de uma temperatura morna e um PH nem muito ácido, nem muito básico, ajuda na conservação do corpo”. 

Porém, essa não é a realidade da maioria dos corpos. “O mecanismo de trauma que agiu sobre as vítimas foi muito violento. No meio da lama, havia pedras, rochas, blocos de concretos, pedaços de estruturas metálicas, uma série de materiais com alta velocidade e quantidade de movimento”, avalia. 

Centenas de segmentos de corpos já foram localizados e pelo menos 200 ainda requerem uma identificação. No entanto, o diretor enfatiza que não necessariamente serão mais 200 pessoas, já que os pedaços podem ser de um mesmo corpo. 

Jose Roberto também explica que quando é identificada apenas uma parte de corpo, ela é entregue à família. “É um processo muito doloroso aguardar se outra parte do corpo será encontrada. A gente fez uma consulta ao Ministério Público, que autorizou que aquele segmento fosse dado como representativo do corpo da vítima”, destaca. 

Identificação por tatuagem 

As identificações são feitas por sinais particulares, impressões digitais, arcadas dentárias, DNA, próteses e pinos. Até tatuagens são utilizadas para auxiliar a identificação. Pelo menos duas vítimas já foram identificadas por esse meio. 

“A gente tem um banco de dados que foi alimentado por informações levadas para a inteligência. Toda vez que achamos algo particular em um cadáver, ou em um segmento de corpo, a gente tenta fazer o cruzamento de dados e vamos em busca de elementos que possam ajudar a investigação”, pontua.

Pedaços de animais 

O diretor também revelou que durante o trabalho realizado no IML, foram identificados dois pedaços de animais que se assemelhavam ao de humanos. “Depois de uma análise minuciosa chegamos à conclusão de que se tratava de animais. Todo material orgânico encontrado tem que ser enviado para o IML”, explica. 

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