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Com rivalidade além do campo, Chile e Peru disputam vaga na final da Copa América

Por Agência Estado, 03/07/2019 às 13:29
atualizado em: 03/07/2019 às 13:36

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Em um confronto carregado de história que vai além esporte, remetendo a uma rivalidade iniciada no século XIX, as seleções do Chile e Peru se enfrentam nesta quarta-feira, a partir das 21h30, na Arena do Grêmio para definir o segundo finalista da Copa América, ainda que com os papeis de favorito e franco atirador bem definidos. 

Os países se enfrentaram na Guerra do Pacífico entre 1879 e 1883 com o Chile derrotando a aliança do Peru com a Bolívia, conquistando territórios dos dois países. E, embora hoje as nações possuam uma relação pacífica, a expectativa é para um clima tenso na Arena do Grêmio. 

"Este clássico não é só futebol, porque com os chilenos há muitas rivalidades. É um clássico especial e sabemos o que isso significa para nós e para eles. Portanto, vamos tentar fazer o melhor e torná-lo uma festa. Ao fim, isso é apenas futebol e tentemos não misturar outras coisas", disse o lateral-esquerdo peruano Trauco. 

Há razões esportivas para que exista tensão em Porto Alegre. Em outubro de 2015, após derrotar a seleção peruana em Lima pelas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2018, a equipe do Chile, que teve seu hino vaiado, deixou uma mensagem no vestiário do Estádio Nacional: "Respeito. Por aqui passou o campeão da América". 

Também pela última edição das Eliminatórias, na rodada final, em outubro de 2017, Peru e Colômbia empataram por 1 a 1, em resultado que favoreceu ambas, com a classificação à repescagem e para a Copa, respectivamente, enquanto o Chile, derrotado pelo Brasil por 3 a 0, ficou fora do torneio na Rússia. 

Nos últimos dias, o meio-campista chileno Vidal foi questionado sobre o assunto, mas evitou fazer comentários polêmicos, se concentrando no compromisso pelas semifinais. "O que aconteceu entre o Peru e a Colômbia são coisas do futebol. Nós não temos raiva deles. Esta partida é diferente, é para ir à final".

As seleções contarão com força máxima no duelo desta quarta, mas o favoritismo é do Chile, que até avançou em segundo lugar no seu grupo, pois perdeu na rodada final da chave para o Uruguai, mas eliminou a Colômbia, até então com 100% de aproveitamento, nas quartas de final, na disputa de pênaltis. 

O Peru também deixou outro candidato ao título na fase anterior e nos pênaltis, o Uruguai, mas a derrota para o Brasil por 5 a 0 no terceiro compromisso em sua chave deixou uma má impressão sobre a equipe dirigida por Ricardo Gareca. E, ao contrário das quartas de final, agora só haverá disputa de pênaltis se a igualdade persistir na prorrogação, que não fazia parte do regulamento na fase anterior. 

Além disso, o Chile leva vantagem no confronto direto, com 44 vitórias, 14 empates e 22 derrotas no Clássico do Pacífico. E um desses triunfos foi na conquista da Copa América de 2015, também pelas semifinais, por 2 a 1, com dois gols marcados por Vargas - Medel fez contra para os peruanos. 

Com dificuldade para formar grandes estrelas, o Chile tenta voltar a ter sucesso com a sua melhor geração, liderada por Vidal e Alexis Sánchez, faturando um terceiro título consecutivo da Copa América, algo que não ocorre desde a Argentina nos anos de 1945, 1946 e 1947. 

A conquista também seria uma redenção após o fracasso de não ir à Rússia em 2018, ainda que com a polêmica envolvendo a seleção peruana. O elenco comandado por Reinaldo Rueda, aliás, tem 12 campeões da Copa América em 2016 e nove que levaram o título em 2015. "O nosso sonho é ganhar o título e ficar na história como tricampeões", disse Vidal.

Mesmo com uma campanha irregular no Brasil, o Peru também sonha em ampliar um momento histórico. Afinal, voltou a jogar um Mundial após 36 anos em 2018 e está em sua terceira semifinal nas últimas quatro edições da Copa América. Falta voltar a disputar uma decisão, o que não ocorre desde 1975, quando faturou o seu segundo título do torneio. 

A semifinal em Porto Alegre também vai opor os dois jogadores em atividade com mais gols na Copa América: o peruano Guerrero e o chileno Vargas, ambos com 12. Além disso, o estádio do Grêmio verá um confronto entre jogadores com histórico pelo Inter: o próprio Guerrero, que faz parte do elenco atual, e Aránguiz, bicampeão gaúcho pelo clube em 2014 e 2015.

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