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Autor de latrocínio que chocou Minas em 2012 pede perdão, e pai da vítima responde por carta

Por Renato Rios Neto , 23/08/2017 às 14:52
atualizado em: 31/08/2017 às 15:30

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Renato Rios Neto/Itatiaia

A penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, é a morada de condenados por crimes que ganharam as páginas e manchetes do jornalismo policial.

Os anos se passam, as manchetes são esquecidas, mas atrás das grades ainda estão alguns dos autores dos delitos que mais chamaram a atenção de Minas Gerais.

Um deles foi o latrocínio – roubo seguido de morte – de Bárbara Quaresma, de 22 anos, no Bairro Cidade Nova, na Região Leste de Belo Horizonte, em maio de 2012. A jovem foi baleada por bandidos que queriam o carro em que ela estava com o namorado.

A reportagem da Itatiaia encontrou, em uma oficina de pintura dentro de um pavilhão da penitenciária, o homem condenado por este crime chocante. O suspeito estava cabisbaixo, com uma Bíblia nas mãos e pintando um quadro. O autor do latrocínio, Thiago Henrique Fernandes, de 25 anos, foi condenado a 27 anos de prisão.

Conversão

"Desde os meus 12 anos eu estava no crime, mas para a glória de Deus eu não sou aquela pessoa do passado mais não. Hoje eu sou o irmão Thiago", relata. "Na lei do homem", diz, sua pena vai até 2032, mas ele alerta que a "última palavra é de Deus". "Quando a gente está nas trevas, a gente é completamente cego. A gente faz as coisas guiados por muitas coisas ruins", ressalta.

O detento disse estar arrependido do crime e pediu perdão à família da vítima. "Não vai trazer ela de volta, nada pode mudar a [situação] da mãe dela, mas eu só queria mesmo que ela soubesse que arrependido eu estou, de coração mesmo, e que ela pudesse estar me perdoando", declarou, fazendo o mesmo pedido aos demais parentes e ao então namorado da jovem.

Segundo o presidiário, no crime ocorreu um desacerto, houve uma atitude inesperada, e ele reagiu no susto. "Isso me traz um trauma até hoje. Eu aprontei muito, não sou nenhum santo, mas eu jamais poderia imaginar que eu ia tirar a vida de uma pessoa inocente, que nunca me prejudicou, que nunca fez nada para atrasar o meu lado, e isso me doeu muito desde aquele dia. Iso, para mim, é um espinho na carne. Hoje em dia eu posso falar a você com toda a sinceridade que, de crime, eu tomei nojo."

Como outros personagens aqui entrevistados, Thiago afirma que não compensa entrar para o mundo do crime. "Não vale a pena, não. Nem um pouco. É só ilusão. Tudo o que a gente vive ali é ilusão. Não adianta: vai plantar ali e vai colher tudo aquilo de ruim que você plantou", alerta.

Carta

A reportagem procurou a família de Bárbara para repercutir as palavras de Thiago. O pai da jovem, o professor Gustavo Neves, que mora em Aracaju, ouviu a entrevista do condenado e escreveu uma carta em que diz ficar feliz com programas de evangelização na prisão, mas que, como pai, nada disso trará a filha dele de volta e nem minimizará a dor.

O professor revela que gostaria de acreditar na recuperação dessas pessoas, mas teme que, nas ruas, elas se esqueçam do evangelho e voltem a praticar atrocidades, principalmente num país onde os políticos não ajudam.

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