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Assaltos a caminhões aterrorizam motoristas na Região Metropolitana de Belo Horizonte

02/08/2017 às 17:30
atualizado em: 04/08/2017 às 21:52

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Alessandra Mendes/Itatiaia

O tráfego intenso de veículos nas saídas de Belo Horizonte para São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória e Brasília dá uma falsa sensação de segurança. Com outros motoristas por perto, acredita-se que será mais difícil ser abordado por criminosos. Uma expectativa que é desconstruída em qualquer conversa com caminhoneiros que passam regularmente pela região.

"Hoje, até para a gente parar para dormir no posto, não tem segurança, dorme com um olho fechado e o outro aberto. Tem posto que a gente para e o motorista acorda com o vidro estourando e o ladrão dentro da cabine", diz o caminhoneiro Daniel Cordeiro.

A nossa parada é em um posto de combustíveis que fica no km 486 da Fernão Dias, na saída para São Paulo, uma das Rotas do Medo. Dos três caminhoneiros com quem conversamos, todos já haviam sido abordados por ladrões recentemente na região. Os crimes ocorrem a qualquer hora e bem no meio da rodovia.

Marco Aurélio conta que foi abordado por um passageiro de um veículo Palio Weekend que entrou na frente do caminhão. Armado, o homem anunciou o assalto. "Como o caminhão é rastreado, bloqueou na hora. Ele perguntou o que tinha dentro do caminhão. Eu falei que não tinha nada que interessasse. Ele olhou, desceu e foi embora."

Quando o caminhão quebra e o motorista tem que passar a noite em um dos postos da Região Metropolitana, o temor aumenta. Há quem recorra até a cadeados para tentar adiar o inevitável, como o caminhoneiro Felipe Pereira da Silva. Ele reconhece que o cadeado não impede o crime. "Atrasa um pouquinho, mas se tiver que roubar, rouba."

Na outra ponta da BR-381, na saída para Vitória, os relatos dão conta da mesma situação caótica. Os motoristas são abordados nos postos e nas rodovias em qualquer horário. Quando não levam a carga, o que é raro, levam os pertences dos caminhoneiros. Rodando pelas estradas do país há mais de uma década, Wanildo Melo de Oliveira, de 39 anos, diz estar desiludido com a profissão.

"Hoje tem ladrão para tudo: é de carga, é do pneu, é pessoal. Hoje está difícil de sobreviver na estrada brasileira. Você sabe que sai, mas não sabe se volta", reflete.

Wanildo conta episódio em que foi assaltado por índios:

Segundo a Federação das Empresas de Transportes de Cargas do Estado de Minas Gerais (Fetcemg), as mercadorias mais visadas pelos ladrões na Grande BH são cigarro, medicamentos, combustível e eletro-eletrônicos.

No Triângulo Mineiro, a preferência é pelos defensivos agrícolas – cuja carga pode chegar a valer até R$ 1 milhão –, cigarro e eletrônicos.

No Norte do estado, os assaltos mais constantes são a cargas de medicamentos e produtos atacadistas. Esse cenário já impacta até no preço do frete pago para quem segue para as regiões onde os crimes são mais constantes.

O caminhoneiro Rogério Adriano revela que recebe mais quando tem de ir para o Rio de Janeiro. "Em relação à segurança, só Deus mesmo, principalmente para ir para o Rio de Janeiro. Ninguém quer ir para lá porque estão roubando, matando motorista", afirma.

Nesta quinta-feira (3), vamos mostrar a fundo esse impacto da criminalidade para o transporte de cargas e explicar como a falta de fiscalização por parte das polícias, agravado pelo contingenciamento da Polícia Rodoviária Federal, tem agravado esse cenário em Minas.

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