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Apoiador de medidas polêmicas, Mujica traça paralelo entre realidade do Brasil e Uruguai

Por Alessandra Mendes e Rafael Nonato, 12/01/2018 às 13:00

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Repórteres Rafael Nonato e Alessandra Mendes estiveram no Uruguai para conversar com exclusividade com Mujica

Muito prestigiado no meio político mundial, o ex-presidente uruguaio José Pepe Mujica teve uma queda da popularidade em níveis inéditos dentro do seu país no ano passado. Quando terminou seu mandato, em março de 2015, Mujica contava com a simpatia de 66% entre os uruguaios. Desde então, o número já caiu em mais de 20 pontos percentuais e agora registra 42%. A rejeição cresceu de 15% para 44%. No entanto, Mujica ainda é o político uruguaio de maior aprovação pela população.

À frente da presidência, fez um governo que colocou o Uruguai no mapa das nações progressistas. Reduziu a pobreza de 37% para 11%. Apoiou a legalização do aborto. Apoiou a legalização da maconha e assinou a lei que legalizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo. 

E é justamente sobre essas medidas que falamos com Pepe hoje, na continuação da entrevista exclusiva concedida à Itatiaia.

Quais os fatores que separam Brasil e Uruguai com relação a essas demandas sociais?

O Brasil tem uma história muito particular e nós também. Nós somos um pequeno país, mas, muito cedo, muito diferenciado. Se fossemos um país de 30, 40 milhões de habitantes, provavelmente a história contemporânea diria que a social democracia se fundou no Uruguai. Por que digo isto? Porque os países dependem dos rumos de sua história. Brasil era escravocrata até a quase a metade do século passado. Fundou a primeira universidade por volta de 1900 e 20 e pouco, 1922. As pessoas mandavam seus filhos para estudar na Europa. Nós tivemos um presidente que estabeleceu o divórcio por vontade da mulher em 1912. Em 1915, foi o primeiro país que reconhece a [jornada de trabalho] de oito horas. É o primeiro país da América a dar voto a mulher, sendo o segundo ou terceiro no mundo. Se reconheceu a prostituição por aí, por volta de 1914, 1915. Foi feito um registro para garantir a seguridade social. Como vê, essas coisas não é que não existem no Brasil, quase não existiam na América.

É esse processo que explica a legalização da maconha no país?

Então, a maconha não é nada mais que reconhecer que existe um mercado consumidor de maconha e que está entregue ao narcotráfico. Nós não legalizamos, estabelecemos uma regulação para incidir sobre esse mercado. Porque nos deparamos com dois males: o consumo da droga e o narcotráfico. O que estamos deparando é que a via repressiva com o narcotráfico não tem dado resposta. Cada vez mais temos uma quantidade de preços. E temos consumidor em situação clandestina, e não podemos atendê-lo e socorrê-lo a tempo como se correspondesse a um problema de saúde. Então, decidimos dar esse passo da regulação para tratar de atacar esse mercado. Policialmente não podemos derrotá-lo. Queremos destroçar esse mercado. Queremos conhecer esse negócio. E conhecer o consumidor para poder atendê-lo quando passa a nível mais grave. No fundo, é a mesma política de haver reconhecido a prostituição, o divórcio, é a mesma atitude de ter reconhecido o alcoolismo. Os problemas que tem a sociedade não se resolvem tapando o sol com a peneira. Não tenha dúvida que a maconha vai ser legalizada por toda parte. É uma questão de tempo. Por que os principais mercados, como os Estados Unidos, alimentaram formas cínicas de permiti-la. Em nome de quem tem uma enfermidade, uma dor no pescoço. Um médico assina e pronto.

Como traça o seu futuro de agora em diante?

Tenho 82 anos. Meu futuro mais próximo é o cemitério. Não é uma questão de vontade, não que não queira [viver]. Eu estou entrando na fase de que as pessoas dizem: “porque mesmo está aqui?” Eu vou seguir militando, vou seguir militando. Me põem nas pesquisas, sempre eu apareço em primeiro, mas eu não vou me candidatar. O compromisso é grande para a energia que tenho. [A presidência?] Não.

Se Pepe volta ou não ao comando do Uruguai, só o tempo vai dizer. O que é certo é que o nome dele já está escrito na história do país, entre outras coisas, pelas mudanças implementadas, como a legalização da maconha. E é sobre esse assunto que a Itatiaia se debruça na próxima semana. Vamos ouvir especialistas e autoridades brasileiras e de outros países, incluindo o Uruguai, sobre a regularização do uso recreativo da substância. Vamos falar da realidade brasileira e qual o prognóstico para o nosso país nos próximos anos.

Clique e ouça a reportagem completa de Alessandra Mendes e Rafael Nonato

Ex-presidente do Uruguai José Mujica fala com exclusividade à Itatiaia; confira a 1ª parte

Assista à íntegra da entrevista:

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