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'Ainda não é possível apontar se houve falhas', disse porta-voz da PM de SP

Por Agência Estado, 02/12/2019 às 14:53
atualizado em: 02/12/2019 às 14:58

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Policiais e testemunhas estão prestando esclarecimentos sobre a morte de nove pessoas durante tumulto após uma ação da Polícia Militar (PM) em um baile funk em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, na madrugada desse domingo (1º), que também deixou 12 pessoas feridas.

Em entrevista à rádio Eldorado, de São Paulo, o porta-voz da PM, tenente-coronel Emerson Massera, disse que ainda "não é possível apontar que houve uma falha dos policiais". "Preventivamente, apreendemos as armas de todos policias e pedimos exame residuográfico", afirmou o tenente-coronel.

Os policiais que participaram da ação negam ter disparado arma de fogo. A Corregedoria está investigando a ação da PM no pancadão. Imagens estão no inquérito e estão sendo analisadas – entre elas as que mostram agressões cometidas por policiais .

"Não estou desqualificando o fato, que é extremamente grave, mas a sensação que temos é que não ocorre no problema do pancadão, que teve a correria das pessoas. A imagem é muito lenta e parada", avaliou Massera. Os policiais que aparecem no vídeo serão identificados para saber se estavam em Paraisópolis na madrugada de domingo.

De acordo com a versão oficial, seis PMs estavam na avenida Hebe Camargo, perto da comunidade, quando uma dupla passou de motocicleta por volta das 5h30 e atirou contra os policiais, ao serem abordados. Eles fugiram em direção à festa, que reuniu 5 mil pessoas.

Na chegada ao baile, os policiais dizem que teve início o tumulto e que os suspeitos se esconderam na multidão. Isso teria feito com que participantes da festa, em pânico, tropeçassem e se machucassem gravemente.

Em relatos e vídeos, moradores acusam os PMs de agir com truculência. O governo de São Paulo informou que investigará as circunstâncias das mortes para apontar se houve excessos. "Os policiais tentaram prevenir a instalação do pancadão. Começou a [se] fazer policiamento nos arredores para evitar crimes durante o evento. Em um dos pontos, passou uma moto, em atitude suspeita", afirmou o porta-voz da PM.

Segundo Massera, os policiais pediram para eles pararem, mas os ocupantes atiraram e fugiram em direção ao baile funk. "A ação dos criminosos é que provocou o tumulto."

Sem estrutura

Há quase uma década, o Baile da Dz7 é realizado aos fins de semana em Paraisópolis. Em algumas ocasiões começam na quinta e vão até domingo, o que gera reclamação de moradores do Morumbi, bairro vizinho. Jovens vão de diversos locais da cidade rumo ao pancadão.

"O baile funk acontece há anos na comunidade Paraisópolis, sem estrutura adequada. É preciso focar em providências para oferecer local mais adequado para a realização do evento, que acontece aos fins de semana", defendeu o tenente-coronel.

Segundo o porta-voz da PM, somente no sábado (30) foram registrados 250 pontos de pancadão na cidade de São Paulo. "Neste ano, já foram 45 operações que preveniram a realização do pancadão em Paraisópolis."

Conforme moradores, esses bailes também se tornaram motivo de incômodo frequente, por causa do barulho e das aglomerações.

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