Ursula Nogueira

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Não foi engraçado, foi assédio

Será que eles realmente acharam que era uma brincadeira?

21/06/2018 às 05:02
Não foi engraçado, foi assédio

Estamos a 15 mil quilômetros do Brasil, longe dos amigos e da família, trabalhando muito para que o ouvinte da Rádio de Minas receba a melhor e mais completa cobertura do Mundial. Queremos que quem nos ouça se sinta na Rússia. 

Enquanto me preparava para a cobertura da Copa do Mundo, estudei muito e percebi que uma das maiores preocupações era sobre os possíveis comportamentos racistas e homofóbicos da torcida russa. Até agora o que mais me chamou a atenção nestes dias aqui em Moscou são os atos machistas. É preciso ressaltar que quando falamos de machismo não é uma prática de um país ou outro. É uma doença mundial. 

Nos últimos dias, o assunto que dominou as redes sociais, as capas de jornais e as rodas de conversas foi o vídeo gravado por um grupo de brasileiros (que vergonha!) que assediaram uma russa, fazendo uma alusão absurda ao órgão sexual feminino. Há também registros de torcedores de outros países que tenham feito algo parecido com outras mulheres.

Eu fico me perguntando o que se passa na cabeça dessas pessoas. Será que elas realmente acharam que era uma brincadeira? Se acharam, eu faço questão de responder: não, não era uma brincadeira. Não foi engraçado. O nome disso é assédio! Misoginia. 

Estamos em 2018 e ainda há homens, em várias partes do mundo, que não se acostumaram com a presença da mulher no futebol. Nós estamos por todas as partes e não vamos nos esconder, muito menos nos calar! Não vamos aceitar que fiquem justificando um erro com o outro.

Quero acrescentar que a Copa do Mundo tem sido feita aqui para mostrar uma Rússia diferente. Aquele país comunista e de guerra ficou para trás. Os russos querem – e estão conseguindo – apresentar um país reconstruído, mas infelizmente ainda não conseguiram mudar o comportamento machista. O repúdio aos atos machistas foi feito apenas por ativistas. As autoridades não tomaram posição oficial a respeito. Estão “caladas” a respeito do assunto.

Enfim... Punições existem para serem cumpridas. Que todos – de qualquer nacionalidade – paguem pelos atos. Que a Copa do Mundo sirva ao menos para mostrar que nós, mulheres, estaremos em todos os cantos, desde que queiramos estar ali. Faremos tudo aquilo que queremos fazer – e se errarmos, pagaremos também –, e como diria Zagallo: vocês terão que nos engolir. 

Deixem-nos trabalhar! Deixem-nos curtir a Copa!

 

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