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O Indefensável

O Indefensável

16/03/2017 às 08:30
O Indefensável

O que julgam o Bruno Fernandes pelo que tenha feito com Eliza Samudio é indefensável. Injustificável. Engravidou uma mulher, fugiu das responsabilidades, tirou a vida de uma pessoa, matou a mãe de seu filho, destruiu uma construção de família que julgam ser a ideal e manchou a sua história.

Ele foi preso e condenado a 22 anos e três meses de prisão. No último dia 24, Bruno Fernandes foi solto. O presidiário saiu vitorioso na Justiça, após decisão do ministro Marco Aurélio Mello, sob alegação que o detento não teve o recurso julgado pelo Tribunal. Bruno saiu pela porta da frente da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC) de Santa Luzia. Atenção: ele não fugiu de lá. O soltaram.

A liberdade de Bruno não é ilegal. Ela é imoral. Eis a questão! O goleiro Bruno não matou ninguém! Quem matou foi Bruno Fernandes e é este que merece ser punido de todas as formas pelos seus atos. Já o goleiro Bruno, é inocente e merece se realocar no mercado. 

É preciso, embora seja bastante difícil, saber separar as duas pessoas: Bruno Fernandes e o goleiro Bruno. Foi isso que o Boa Esporte Clube fez quando anunciou a contratação do goleiro, repito, goleiro. 

Após o anúncio, as consequências vieram. O clube de Varginha perdeu todos os seus patrocinadores. A pressão social foi imensa nos apoiadores, que resolveram “abandonar o barco”. Vale ressaltar que as empresas estão no pleno direito de rescindir o contrato. Acredito que o Boa não tinha noção de tamanha repercussão. Talvez um marketing mundial que está custando bem mais que imaginaram. 

Thiago Reis, o repórter Seu Nome Seu Bairro, disse que: “Em um país sério, o Boa estaria sendo aplaudido pela atitude de dar a chance a um egresso penal ter a oportunidade de trabalho. Não cabe discutir se é certo ou não o Bruno ser colocado em liberdade. Mas a partir do momento que a justiça o soltou, ele tem direito ao trabalho e a tentar uma vida normal. Nosso país não tem pena de morte e nem perpétua. Então que as leis sejam respeitadas e discutidas!” 

É importante lembrar que esta não é a primeira vez que Boa Esporte faz um tipo de ação envolvendo presidiários. Em 2014, o clube fez uma parceria com a Prefeitura de Varginha e com o presídio da cidade para que 60 detentos trabalhassem na reforma do estádio Melão. 

Entendo toda a sensibilidade social que o Caso Bruno envolve, afinal estamos falando de um homicídio triplamente qualificado, mas a sociedade está punindo um clube que, até então, não cometeu nenhuma irregularidade na contratação de um jogador disponível no mercado. 

Se Bruno Fernandes vai usar o salário dele para pagar a pensão do filho, ou se vai usar em benefício próprio, não é da minha conta. Eu espero que ele aja em conformidade com o que a lei determina. E nada mais. Se um ministro do STF decidiu pela liberdade do jogador, quem sou eu para crucificar um clube que o acolhe?  E prestem bastante atenção: essa é minha opinião e respeito todas as outras contrárias à minha. Existem muitos pontos e vertentes a serem analisados aqui. Depende da ótica de cada um.

Talvez a revolta social fizesse mais sentido se resolvêssemos criticar o Tribunal de Justiça de Minas Gerais que não julgou o recurso de Bruno e abriu uma brecha para o Supremo conceder a liberdade. Talvez seria melhor se estivéssemos discutindo um novo código de processo penal! Mas estamos perdendo tempo reclamando na internet, afinal... é isso que gera muito likes e compartilhamentos!

Grande parte de nossa sociedade é hipócrita. Sempre dizemos que precisamos ajudar, amar o próximo, ressocializar quem está saindo de um sistema carcerário e etc e tal. Mas quando precisamos agir, nosso pensamento muda.  NÃO estou defendendo o Bruno em si, estou dizendo que pessoas precisam de oportunidades. NÃO estou defendendo o que julgam que ele fez, estou pensando que se fosse alguém da minha família, ou próximo a mim, eu gostaria muito que também tivesse oportunidades. Todo mundo merece uma segunda chance. E se fosse seu irmão, seu pai, seu sogro, sua irmã, seu, sua...

É mais fácil atirar pedra no telhado de vidro do vizinho!

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    'Eu estou levando minha revolta para um lado de injustiça, eu preciso de uma resposta. Eu guardei tudo no quarto do bebê. Essa dor parece que não vai passar', completa.

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