Ursula Nogueira

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Clube-empresa vem para ajudar?

03/12/2019 às 05:05

Pixabay

A Câmara dos Deputados aprovou na última semana o projeto que permite a times de futebol optar pelo modelo clube-empresa. Pelo texto, clubes podem se transformar e fazer parte de fusão, cisão e incorporação a outras sociedades empresariais. Em outras palavras, times têm a oportunidade de refinanciar dívidas, organizar o caixa e buscar investidores.

O projeto é visto com bons olhos por, além de permitir o parcelamento de débitos, reduzir multas e juros nas negociações. Por este lado, será salvação, concordam? Mas é claro que tudo tem prós e contras e é preciso colocar na balança.

Na europa, o assunto é velho, e não deu tão certo assim. A expectativa de acabar com as dívidas nunca se concretizou de fato e aumentou a disputa desigual e desleal, em termos esportivos e econômicos. 

Além do mais, clubes-empresas como Paris Saint-Germain conseguiram toda supremacia em seu país, mas os grandes títulos como a Liga dos Campeões da Europa ainda seguem nas mãos dos clubes que muito além de um financiador por trás, têm tradição, como o Real Madrid e Barcelona - que não aderiram à proposta empresarial.

Voltamos à América. Imagina os clubes do Brasil com as contas em dia? Virou rotina jogador de times, como Santos, Cruzeiro, Atlético, Botafogo, Corinthians, nos noticiários reclamando de salário atrasados após algum revés.

Essa pode ser a saída para a pontualidade dos contra-cheques astronômicos dos atletas. Não se pode pagar um salário de R$ 150 mil a um membro de diretoria e R$ 800 mil a um jogador... nunca haverá condição para andar em dia com estes valores. O futebol está ficando inviável e impagável. 

Arrecadações dos patrocinadores não acomodam esses valores absurdos. E sempre vai ter direito de imagem, "bicho", entre outros vencimentos passíveis de atraso. 

A realidade brasileira não permite tamanha discrepância. E por falar em grande diferença, o Flamengo, nossa atual vitrine nacional, se recompôs sem associações empresariais; ao contrário, fez ‘a bola’ financeira girar a seu favor mostrando a potência do futebol às empresas, não o contrário. 

É preciso buscar um modelo em que o clube se profissionalize, mas que se proteja juridicamente de uma gestão irresponsável e que não prejudique sua história e o torcedor.

Na sua opinião, estamos preparados para essa evolução no futebol brasileiro? Necessidade não podemos negar que existe.

Se vai dar certo ou não, está aí a opção para testarmos.

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