Rômulo Ávila

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Má gestão pode ter consequências irreversíveis

14/06/2019 às 06:09

Denúncias de irregularidades, atrasos de salário, aumento de dívida, matéria nos principais veículos de imprensa do país, empréstimos suspeitos, racha no conselho e péssimos resultados dentro de campo. Você pode pensar que estou me referindo a atual crise administrativa do Cruzeiro, mas, na verdade, trata-se de problemas vividos pelo Atlético na gestão Paulo Cury, na década de 1990.

Acompanhei a crise atleticana que resultou no afastamento de Paulo Cury pela Justiça e, dois meses depois, no pedido de renúncia, em 1998. Cury saiu, mas deixou um rombo de R$ 15 milhões (à época) nos cofres do clube. Há quem diga que a péssima administração dele e de seu antecessor, Afonso Paulino, foram decisivas para os anos de trevas que o Atlético viveu, sendo inclusive rebaixado para Série B do Campeonato Brasileiro anos depois. Se hoje o Atlético é um dos clubes mais endividados do país, muito pode, sim, ter relação com gestões passadas.

Os atuais problemas administrativos denunciados no Cruzeiro de Wagner Pires e Itair Machado lembram um pouco a era Paulo Cury no rival Atlético. E vou além: se ao menos metade do tsunami de irregularidades denunciadas no Cruzeiro for confirmada, o clube entrará em um caminho desastroso ainda pior do que o trilhado pelo rival há 24 anos. A atual gestão do Cruzeiro é uma caixa preta semiaberta. 

Após as denúncias divulgadas em rede nacional pelo Fantástico, novas irregularidades não param de pipocar. É conselheiro preso pela Polícia Federal, rescisão de contrato unilateral com a Minas Arena, atraso de salário de funcionários, não repasse de venda de jogadores para o parceiro, penhora de parte do salário de Itair Machado e até a compra (o vendedor é advogado de Itair) surreal de uma esteira usada da Nasa por R$ 263 mil. 

Com tantas situações nebulosas, não tenho receio de dizer que o Cruzeiro de Wagner Pires tem mais problemas se comparado com o Atlético de Paulo Cury. E a conta disso tudo pode ser alta. Contudo, é preciso deixar claro: mesmo com a fase ruim do time celeste dentro das quatro linhas (não vence há nove partidas), a diretoria da Raposa montou um dos melhores elencos do Brasil. Já o time de Paulo Cury era medíocre e não ganhava nem o Mineiro. 

Outra diferença é o papel da torcida. Atleticanos não aceitaram as irregularidades na era Paulo Cury e fizeram vários protestos exigindo a saída dele da presidência, o que acabou acontecendo. Na época, conselheiros e torcedores se uniram e criaram o movimento "SOS Atlético, por uma Administração Honesta", assunto noticiado até na Folha de São Paulo

No caso do Cruzeiro, a torcida acompanha tudo em silêncio, limitando-se a comentários nas redes sociais. Não há um movimento forte para descobrir de fato o que é ou não irregularidade no clube. Além disso, a pessoa que desponta para investigar as inúmeras denúncias é ninguém menos que Zezé Perrella. Também não se pode esquecer que algumas torcidas organizadas aparecem nas denúncias feitas pelo Fantástico. Tudo isso pode explicar o silêncio ensurdecedor de uma das maiores torcidas do Brasil diante de fatos tão graves. O clube pode pagar caro por isso. Quem duvida que pergunte a qualquer atleticano sobre a gestão Paulo Cury. 

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