Rômulo Ávila

Coluna do Rômulo Ávila

Veja todas as colunas

A copa da minha vida

10/01/2020 às 07:30
A copa da minha vida

Da esq p/dir: Em pé - Wanderson, Ernane, Léo, Fabrício Soares, Fernando e Branco (treinador de goleiro) Agachados: Rômulo, Vanner, Alexandre, Wellington, Sirney e Palominha. Jogo contra o São Paulo

A Copa São Paulo de Futebol Júnior me faz voltar no tempo. Mais precisamente ao ano de 1999, quando foi disputada a 30ª edição da competição. Eu já tinha subido para o profissional do Villa Nova, mas voltei ao Júnior para jogar a copinha. Nosso time chegou respaldado pelo bicampeonato mineiro e com a missão de fazer bonito. Nossa sede foi na cidade de Capivari.

Chegamos na cidade e chamei o Palominha (volante raçudo) para darmos uma volta na praça, que ficava perto do nosso hotel. Foi só colocarmos os pés na praça que apareceu um jornalista da cidade pedindo uma entrevista. “Vocês são do Villa?”, indagou. Palominha logo empurrou  para mim. Entrevista na categoria de base era coisa rara. Apesar de tímido e da dicção ruim que me acompanha até hoje, tive que ‘encarar’ o repórter. Segui a cartilha do “Se Deus quiser”, “trabalhamos forte”, “nosso time está unido” .... Pronto! Tinha passado no teste da primeira entrevista da minha carreira.

A Copa São Paulo é assim. As cidades do interior param e a imprensa abre espaço. A entrevista serviu, na verdade, para a minha ficha cair: Sim, eu estava na competição de base mais importante do Brasil.

Nossa estreia foi no dia 6 de janeiro, justamente contra o Capivariano, donos da casa (Flamengo, do Piauí, e Nacional-SP eram os outros dois integrantes do grupo). Jogo duro, torcida contra. Mas vencemos por 2 a 1. O primeiro passo estava dado. O segundo jogo era contra o Flamengo-PI, time considerado o mais fraco da chave e que tinha perdido para o Nacional. Era a chance de vencer e ainda fazer o saldo de gols. Entramos relaxados em campo e quando assustamos a vaca já tinha ido para o brejo. Derrota por 2 a 1 e classificação ameaçada.

Na última rodada, contra o Nacional-SP, era vencer ou voltar para Nova Lima. Concentração total, frio na barriga. A bola nem rolou direito e tomamos um gol.  Mas nosso time era muito bom, talvez o melhor júnior da história centenária do Leão do Bonfim. Fomos para cima, empatamos ainda no primeiro tempo e viramos no segundo: 3 a 1 e vaga nas oitavas garantida. Só não ficamos em primeiro lugar da chave porque o Capivariano goleou o Flamengo-PI por incríveis 7 a 4.

O adversário nas oitavas de final era o poderoso São Paulo. Como ficamos em segundo, deixamos Capivari e fomos para São Bernardo do Campo. Estádio lotado (foto) e pressão total do São Paulo. Fiz a minha melhor partida na copinha. Mas não conseguimos superar qualidade do São Paulo: 2 a 0. Lembro que o Tricolor tinha jogadores que despontaram no profissional pouco tempo depois, como o volante Fábio Simplício, Julio Batista e o zagueiro Jean. Caímos, mas de pé.

Após o jogo, já de volta ao hotel, Branco, treinador de goleiro do Villa, me disse: “Se você e o Ernane (zagueiro) fossem um ano mais novos estariam no São Paulo”. Deus sabe o que faz. 

O certo é que continuei a vida.  A carreira de jogador não deu certo por vários motivos, mas a Taça São Paulo de 99 foi a copa da minha vida. Essas lembranças ninguém pode apagar. 

Escreva seu comentário

Preencha seus dados

ou

    #ItatiaiaNasRedes

    RadioItatiaia

    'Eu estou levando minha revolta para um lado de injustiça, eu preciso de uma resposta. Eu guardei tudo no quarto do bebê. Essa dor parece que não vai passar', completa.

    Acessar Link

    RadioItatiaia

    O caso foi revelado em primeira mão pela rádio Itatiaia e repercute nacionalmente.

    Acessar Link