José Lino Souza Barros

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Infância com início, meio e fim

No Dia da Infância, uma crônica do escritor Fabricio Carpinejar

24/08/2021 às 02:36
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Fui vários meninos. Sou adulto porque brinquei tudo o que podia na infância. Gastei a infância. Usei a infância. Encardi a infância. Envelheci a infância.

Fui o menino das bolinhas de gude. Meu dedão é um gatilho de bolitas.

Fui o menino do futebol de botão. Chamava o meu time de Resto do Mundo e sempre acabava como o vice-campeão do bairro - jamais ganhei do Rodrigo, meu irmão mais velho.

Fui o menino do Banco Imobiliário, Detetive, War, Pula-Pirata, Playmobil, Pinogol, Aquaplay e Atari.

Fui o menino do Forte Apache, com índios montando ataque à cavalaria, escondidos nas samambaias da varanda.

Fui o menino que não comprava cachorro, adotava vira-lata manco e perdido nas redondezas (antes da carrocinha achá-los).

Fui o menino do carrinho de rolimã. Ia para escola seguindo o rastro das rodas nas lajes.

Fui o menino que tirava a fofolete da caixinha de fósforo das colegas para colocar uma barata no lugar.

Fui o menino do ioiô, havia campeonato na escola para demonstrar manobras como estrela, pêndulo de relógio e cachorro passeando.

Fui o menino das pipas. Os fios elétricos colecionavam as minhas invenções coloridas.

Fui o menino de jogar pedras no rio. Criava círculos perfeitos em lançamentos rasantes. O rio nunca afundou em meus olhos.

Fui o menino de jogar bola de garagem a garagem. A turma parava a partida quando passava um carro.

Fui o menino do pião, minha bailarina, meu ciclone de estimação, rezando por mais uma pirueta, e que um novo giro levasse as tristezas embora.

Fui o menino do caçador, do esconde-esconde, do polícia-ladrão, de encontrar vãos e subir nos telhados.

Fui o menino de roubar frutas da casa dos outros. Um dia devolvo.

Fui o menino de jogar bexiguinha do alto dos prédios nas pessoas. Fazia o cálculo mental, atirava sem olhar, me escondia e esperava o grito de quem passava pela minha rua.

Fui o menino de só voltar para a residência quando já era noite, quando o sol também cansava, quando a lua não tinha mais força para disputar corrida, quando o jantar estava na mesa e eu ainda precisava tomar banho.

Hoje crianças já são adolescentes ao nascer e crescem sem ter infância.

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